Operação De Separação Entre Um E Outro Coração (1m 1f)


Barcode - Operação De Separação


Operação De Separação Entre Um E Outro Coração

 

Resumo

O relato de um casal em separação em uma derradeira discussão.

 

Roteiro

No meio do palco, há uma caixa de papelão aberta. Um homem joga alguns objetos na caixa, examinando um a um antes de fazê-lo. Ele pega um cachorro de pelúcia e fica brincando com ele. Acaba por jogar um objeto longe (uma bolinha ou um osso de brinquedo) e fala com o cachorro.

Homem: Vai buscar, Lulu!

Ele finge que o cachorro está vivo e corre com ele pela sala (o cachorro pode ter uma coleira e rodinhas, por exemplo). O interfone toca. O homem deixa o cachorro em um canto, levanta-se e atende o interfone.

Homem: (pelo interfone) Sim? (aperta o botão do interfone, abre a porta da sala e espera um minuto)

Uma mulher entra.

Homem: Por que não usou a chave?
Mulher: Ah, toma a chave… não preciso mais dela.

Homem pega e guarda a chave.

Homem: Está sozinha?
Mulher: Foram só três meses de separação. Não dá tempo de arranjar alguém tão rápido…
Homem: Estou falando sobre alguém para lhe ajudar a carregar suas coisas.
Mulher: Ah! Sei!
Homem: Coloquei elas aqui, na caixa.
Mulher: (olha dentro da caixa) Cadê meus ursinhos?
Homem: Vou buscar.

Homem volta com alguns bichos de pelúcia.

Homem: Pronto. Mais alguma coisa?
Mulher: (olha para alguns pratos e copos no canto da sala) Vai dar uma festa?
Homem: Só um jantar com os amigos.
Mulher: E essa caixa com as minhas coisas no meio da sala? Se eu não aparecesse hoje, ela ia ficar aí mesmo?
Homem: Eu ia usá-la como mesa. Faz 3 meses que está aí, lhe esperando. Quando está fechada e com uma toalha por cima, ela nem parece uma caixa.
Mulher: Por que não usa uma mesa de verdade?
Homem: Você a levou, junto com o resto dos móveis… lembra? Levou o dinheiro todo, também.
Mulher: Levei só os poucos objetos que eram meus.
Homem: Tudo aqui era nosso… nosso! Meu e seu! Fomos um casal por 10 anos!
Mulher: Esse lugar nunca foi meu. Você nunca deixou eu arrumá-lo como eu queria…
Homem: Nunca deixei? E essa borboleta preta horrível que você pendurou na parede?
Mulher: Não é uma borboleta, é um leque!
Homem: Pode levar seu leque (pega o leque e o joga dentro da caixa).

Ele voa como uma borboleta.

Mulher: Falei dezenas de vezes que eu queria que esse lugar fosse ‘nosso’, mas ele sempre foi só seu.
Homem: Era só deixar tudo como você achasse melhor… eu nunca me importei!
Mulher: Não era para eu arrumar como eu queria, e sim, para nós arrumarmos. Você continua o mesmo… não mudou nada! Você nunca me escuta!
Homem: Escuto o tempo todo. Você nunca fala coisa com coisa! Reclama que não era seu, mas não quis fazer nada!
Mulher: Não adianta. Você continua o mesmo.
Homem: Não tem como fazer um esforço para a gente se entender?
Mulher: Não tem jeito. Eu pensei que podíamos ter uma chance de pelo menos conversarmos… que você iria mudar. Mas você sempre vai ser assim!
Homem: Eu sempre fui assim! Há dez anos que eu sou assim e você sempre gostou de mim!
Mulher: Mas eu mudei. Eu evoluí!
Homem: Evoluiu? Ah! Está certo! Mudar de ideia é evoluir…
Mulher: Eu mudo, as pessoas mudam. Só você não mudou nada!
Homem: Eu não tenho culpa de não precisar mudar!
Mulher: Você me enganou! Quando a gente se casou, eu pensava que você fosse de outro jeito. Mas, depois que o tempo passou, vi que você era diferente do que eu pensava!
Homem: E a culpa é minha se você não viu como eu era?
Mulher: (irônica) Não, a culpa foi minha! A culpa sempre é minha!
Homem: Não fica enfiando essas frases feitas no meio da discussão! Não foi isso o que eu disse.
Mulher: Nunca é o que você diz… nunca!
Homem: Por que você está fazendo isso? Eu sei que você está tentando provocar uma briga mais uma vez… nosso casamento sempre foi bom!
Mulher: Não foi sempre bom. Foi bom só nos primeiros anos. No início era diferente!
Homem: Mas o que mudou? A gente sempre foi tão feliz!
Mulher: Eu não estou feliz! Eu não aguento mais você! Eu quero conhecer outras pessoas… viver!
Homem: Mas você não queria sexo nem com um! Para que conhecer outros?
Mulher: Quero um homem de verdade! Que me ame a noite toda!
Homem: Você me evitava toda noite! Quando a gente fazia sexo, não queria nada que eu sugeria! Depois ainda reclamava que tinha sido ruim!
Mulher: Eu é quem pediu para fazermos amor em lugares românticos. E você nunca me ouviu!
Homem: Transar em cima da mesa é romântico?  Íamos quebrar a mesa e ainda iríamos para o pronto-socorro!
Mulher: Você não entende nada de mulher!
Homem: Eu? E alguém entende?
Mulher: Sim! Tem homem que entende de mulher! O Vando, por exemplo… esse sim é que é homem! Ele é quem entende de mulher, ele é quem tem “pegada”…
Homem: (olha para os pés) Pegada?
Mulher: Só de imaginar aquele homem me agarrando (faz gestos com as mãos, acariciando o próprio corpo), me acariciando, percorrendo todo meu corpo…
Homem: Ele é um homem ou um sabonete?
Mulher: Você não sabe nada sobre ele. O jeito que ele fala, o que ele diz… ele entende as mulheres de verdade! Você deveria ouvir o que ele diz!
Homem: Sei… vou pedir para as mulheres jogarem calcinhas para mim.
Mulher: Você é um frouxo! O Vando disse que quando um homem ama de verdade, consegue fazer amor com uma mulher cinco vezes numa noite.
Homem: Que bom para ele! Mas, pense bem… se ele estivesse apaixonado por você, que só queria sexo uma vez por ano, a média dele seria bem pior que a minha.
Mulher: ‘Tá querendo dizer o quê, afinal?
Homem: Que é difícil fazer amor cinco vezes numa noite com alguém que já está dormindo quando você vai para a cama… e que acorda mais cedo e sai de casa para não fazer sexo.
Mulher: Se você não fosse tão lerdo e tão ruim de cama, eu ficaria sempre acordada e a gente não teria acabado o casamento por falta de interesse!
Homem: Levou dez anos pra você descobrir que eu sou ruim de cama? E eu é que sou lerdo…
Mulher: Chega, vamos parar. Não dá pra discutir com você!
Homem: Sou eu quem deveria dizer isso!
Mulher: Chega! Esse assunto morreu! Não quero discutir mais… não quero ver mais você.
Homem: Boa ideia…

O homem abre a porta. Depois, ele arrasta (ou carrega) a caixa cheia até porta. Ele volta, pega o cachorro de pelúcia que estava no chão e volta até a porta.

Homem: Leve esse seu cachorro idiota… não esquece dele! (joga o bichinho dentro da caixa)
Mulher: Meu Lulu! (pega o cachorro e faz carinho nele) Insensível! Podia ser o nosso filho!
Homem: Só se você andou transando com um cachorro de pelúcia…

Ele bate a porta na cara dela.

Homem: Adeus, meu amor!


© Victor M. Sant’Anna 2009
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