{"id":202,"date":"2015-03-25T18:17:14","date_gmt":"2015-03-25T21:17:14","guid":{"rendered":"http:\/\/textosteatro.com\/br\/?p=202"},"modified":"2015-06-18T11:37:36","modified_gmt":"2015-06-18T14:37:36","slug":"o-buraco-ou-eu-odeio-figado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/","title":{"rendered":"&#8220;O Buraco&#8221; Ou &#8220;Eu Odeio F\u00edgado&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-203\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png?resize=260%2C115\" alt=\"Barcode - Buraco\" width=\"260\" height=\"115\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O personagem come\u00e7a a cena sentado \u00e0 beira de um enorme buraco no centro do palco. Ele vai contracenar o tempo todo com este \u00fanico objeto: a aus\u00eancia de um ch\u00e3o. Ao redor do buraco, encontra-se alguns artigos\u00a0como uma corda (para subir, escapar ou pairar perigosamente sobre o abismo) ou uma cadeira (para ficar ali, descansado, olhando para o buraco), e ainda, p\u00e1s e areia &#8211; que permitiriam que ele cobrisse\u00a0o buraco. O personagem brinca\u00a0o tempo todo com as possibilidades que ele tem enquanto fala do passado, de quando ali, naquele lugar, ele teve a melhor das vidas, at\u00e9 que um dia, ao acordar, topou com aquela &#8220;singularidade&#8221;: a pessoa que ele amava, Jan, foi\u00a0embora ap\u00f3s 10 anos de conv\u00edvio, deixando apenas aquele enorme vazio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\">&#8220;O Buraco&#8221; Ou &#8220;Eu Odeio F\u00edgado&#8221;<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ah, \u00f3timo!<\/p>\n<p>Mas por que esse cara n\u00e3o deixa nada sem coment\u00e1rio? Sem marcas e remarcas? Eu poderia ter ficado muito mais feliz sem ter de comentar o buraco que apareceu aqui. Um dia acordei e minha vida tinha mudado: n\u00e3o havia o mesmo ch\u00e3o. Por que eu n\u00e3o deixo intacta a paisagem por onde passo? Por que n\u00e3o limpo qualquer vest\u00edgio de minha trajet\u00f3ria pelos caminhos-t\u00e3o-bonitinhos-que-pedem-que-n\u00e3o-os-toquemos-para-que-n\u00e3o-deixem-de-ter-encantos? Se eu n\u00e3o falasse desse buraco, ningu\u00e9m saberia sequer que ele existiu. Algum amigo perdido, sem saber, perguntaria um dia:<\/p>\n<p><em>&#8211; Como Jan est\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>E eu responderia:<\/p>\n<p><em>&#8211; Foi embora. Levou tudo o que eu tinha, tudo o que eu quis, tudo o que eu pensei que era a minha vida: casa, fam\u00edlia, tudo.<\/em><\/p>\n<p>Mas deixou algo. O maior brinquedo que eu tenho para me distrair agora: um enorme abismo. \u00c9 um buraco enorme em minha vida, de onde eu n\u00e3o consigo me afastar!<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o atravesso o abismo como atravesso a rua? Por que fico distra\u00eddo com seu tamanho e profundidade? Por que olho para os dois lados, depois de ultrapassar a ponte improvisada sobre o abismo, e volto, repassando tudo outra vez, enchendo de pegadas a fina camada de poeira que cobria a ponte? Por que eu vejo, revejo, como, vomito, remendo e estrago tudo?<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o podemos deixar o abismo como foi encontrado, deixar a destrui\u00e7\u00e3o como est\u00e1, deixar o profundo sem ilumina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Por que vasculho ao redor em busca dos pequenos enfeites espalhados\u00a0pela beira da exist\u00eancia? Por que interajo com os barrancos do abismo? Por que o abismo \u00e9 como uma coceira inc\u00f4moda que n\u00e3o conseguimos parar de co\u00e7ar?<\/p>\n<p>Pois \u00e9, terminei mal&#8230; Agora somos quase todos velhos. Envelhecemos. Muito. Como j\u00e1 estou na velhice h\u00e1 muito mais tempo &#8211; desde dezembro de um ano qualquer &#8211; posso garantir que tudo vai piorar. No dia seguinte ao meu abismo, quando Jan foi embora e deixou esse v\u00e1cuo gigantesco, a legi\u00e3o de mulheres que costumavam me acompanhar em orgias de meus pensamentos abandonou minha imagina\u00e7\u00e3o, sem muitas desculpas. Meu cabelo caiu \u00e0s centenas, uma obtura\u00e7\u00e3o caiu e depois outros males piores \u00e0 boca vieram. Por j\u00e1 estar na idade errada, meu dentista disse que n\u00e3o valia a pena tratar disso. Buracos&#8230; a vida \u00e9 feita de buracos, uns pequenos, outros grandes. Noutras partes a devasta\u00e7\u00e3o prossegue, e o m\u00e9dico me d\u00e1 rem\u00e9dios cada vez mais caros e que logo curam menos. As dores s\u00e3o maiores e os amigos mais distantes.<\/p>\n<p>Ah, mas tudo tem seu lado positivo, claro. Bom, a mem\u00f3ria me falha agora, mas tenho quase certeza que tinha algo bom guardado para esse momento.<\/p>\n<p>A vida come\u00e7a num buraco. N\u00e3o h\u00e1 nada que um sexo ofere\u00e7a ao outro que n\u00e3o uma varia\u00e7\u00e3o de buracos gostosos, quentes, alucinantes, molhados &#8211; alguns em locais distantes, n\u00e3o alcan\u00e7\u00e1veis, e outros ali, na ponta dos dedos, ao alcance da m\u00e3o, da l\u00edngua, do nariz, do queixo, do umbigo, do p\u00e9, cotovelo, sei l\u00e1&#8230; nem sei do que estou falando.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff;\">Para mim, falar sobre si mesmo \u00e9 como tirar a roupa: \u00e9 quase uma viol\u00eancia&#8230; <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff;\">\u00c9 dif\u00edcil tirar a roupa na frente de um amigo, de um novo amor ou do m\u00e9dico. Isso sempre precisa de tempo, de amadurecimento, de vontade e de necessidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff;\">Ao usarmos met\u00e1foras, textos e poesia para nos comunicar, estamos &#8220;contornando&#8221; o problema: expondo sem tirar (totalmente) a roupa, desnudando mas mantendo vestes semi-transparentes sobre n\u00f3s, que nos mostra sem que nos vejam. A luz fraca, a semi-escurid\u00e3o, o transl\u00facido nos ajuda ainda mais nessa auto-prote\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff;\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil subir numa mesa e fazer strip-tease, mesmo por uma louca paix\u00e3o; nem necess\u00e1rio, talvez. S\u00f3 o tempo e a intimidade permitem isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff;\">Embora a nudez diante de um amigo tenha o mesmo car\u00e1ter de uma nudez diante de um m\u00e9dico, isso n\u00e3o diminui a transgress\u00e3o do fato. E nem eu gostaria de uma coisas dessas&#8230; quero amar um amigo acima disso e n\u00e3o precisar jamais que isso aconte\u00e7a, mas que, se acontecer, n\u00e3o haja embara\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff;\">Met\u00e1foras&#8230; eu odeio f\u00edgado&#8230; odeio f\u00edgado mesmo. Acho que a vida \u00e9 como um f\u00edgado. Algumas pessoas adoram, outras detestam&#8230; as pessoas nascem odiando-o ou adorando-o. \u00c9 uma quest\u00e3o de sorte ou azar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff;\">Jan odiava f\u00edgado tamb\u00e9m&#8230; mas um dia, com vergonha de recusar o prato, comeu f\u00edgado em um almo\u00e7o na casa de conhecidos. Que nojo!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff;\">Monteiro Lobato tem um conto em que um personagem odeia f\u00edgado. Eu adoro Monteiro Lobato por isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff00ff;\">O personagem dele participa\u00a0de um banquete no qual\u00a0o prato principal \u00e9 f\u00edgado. Ele tem de engolir aquilo, afinal, trata-se de uma cidade pequena. Ele simplesmente n\u00e3o teve a coragem de dizer n\u00e3o. Come\u00e7a dividindo a carne em dois peda\u00e7os e logo os\u00a0engole, para n\u00e3o ter de sentir o gosto. A dona da casa, pensando que ele havia gostado muito, o serve outra vez. Incapaz de repetir a fa\u00e7anha, ele esconde o f\u00edgado no bolso. Tudo bem, at\u00e9 agora. Por\u00e9m, ele\u00a0esquece\u00a0do peda\u00e7o de carne em seu bolso at\u00e9 a hora em que, ao declamar alguns versos, o suor lhe vem \u00e0 testa. Ent\u00e3o, ele puxa o len\u00e7o do bolso, fazendo o bife voar de seu esconderijo. O personagem foge da cidade, cheio de vergonha e com a terr\u00edvel fama de adorar tanto f\u00edgado que era incapaz de comer sem tamb\u00e9m esconder alguns nacos da iguaria no bolso.<\/span><\/p>\n<p>A vida \u00e9 assim&#8230; algumas pessoas preferem engolir o f\u00edgado que oferecem pra elas. Outras, escondem no bolso. Algumas fazem as duas coisas.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 um f\u00edgado. Ou um buraco? Bom, na minha vida tem um grande buraco. Um bolso \u00e9 um buraco, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Uma boca \u00e9 um buraco. Tudo come\u00e7a com um beijo, certo?<\/p>\n<p>E todos nascemos 9 meses depois, saindo de um buraco. Burac\u00e3o!<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se o que eu fa\u00e7o aqui \u00e9 arte ou ci\u00eancia. N\u00e3o estou estudando buracos. Estou me aprimorando na arte de conviver com um. Este!<\/p>\n<p>Ah, toquei num ponto interessante&#8230; ao falar de arte e ci\u00eancia, esqueci de dizer que vivemos na cultura do culto ao buraco. Nem percebemos, j\u00e1 \u00e9 universal. \u00c9 hist\u00f3rico. Tem raiz. A &#8220;hist\u00f3ria&#8221; tem maior import\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o a todas as tend\u00eancias culturais e art\u00edsticas, que tamb\u00e9m tem um relacionamento com a ci\u00eancia. Tudo est\u00e1 relacionado com tudo. Estou aqui, pertinho&#8230; olhando, vendo o que posso fazer. Quem sabe viro um grande her\u00f3i, a pessoa mais importante da hist\u00f3ria. Talvez, aquele que descobriu como conviver pacificamente com os buracos.<\/p>\n<p>Sou bastante sens\u00edvel ao que acontece, embora eu adore assistir futebol americano pela TV e gritar por cada ponto conquistado. Sou bastante sens\u00edvel para certas coisas. Tenho um olhar &#8220;diferente&#8221; da maioria das pessoas, uma percep\u00e7\u00e3o diferente. Mas isso n\u00e3o \u00e9 bom. A tend\u00eancia das pessoas, apesar de &#8211; quase sempre &#8211; reclamarem da insensibilidade humana, \u00e9 perceber tal sensibilidade como fraqueza, n\u00e3o como qualidade. Na &#8220;hora H&#8221; parece que o que conta mais \u00e9 ser um idiota. O que conta \u00e9 ser parecido com as pessoas de comportamento que eu mantenho dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Jan, no in\u00edcio, se admirava diante destas qualidades. Mas na hora da separa\u00e7\u00e3o, final de casamento de 10 anos, isso foi, na vis\u00e3o de Jan, um peso&#8230; uma &#8220;fraqueza&#8221;, algo que eu n\u00e3o deveria ter. Pelo menos foi o que Jan deu a entender.<\/p>\n<p>Por aqui, o fato de ser separado ou n\u00e3o nunca foi importante pelo ponto-de-vista institucional: fiquei casado 10 anos, mas nunca &#8220;legalmente&#8221; casado. Sempre fomos diferentes quanto a isso, sobre n\u00e3o importarmos com as regras &#8220;dos outros&#8221;. Mas \u00e9 justamente por termos tanta afinidade que a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 um peso&#8230; \u00e9 dif\u00edcil entender como duas pessoas que se d\u00e3o t\u00e3o bem precisem ficar separados para ficar bem. Acho que a escolha de Jan estava certa. \u00c9 triste, mas&#8230; casamentos, por melhor que sejam, n\u00e3o durar\u00e3o para sempre.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 isso&#8230; vamos come\u00e7ar tudo de novo. Ter coisas para fazer, coisas para cuidar. Parece que est\u00e1 sendo bom para mim. Se eu soubesse que seria assim, teria morado\u00a0sozinho mais cedo. Perdi muito tempo &#8220;sem vontade&#8221; de enfrentar isso. Preferi ficar um ano jogado pelo mundo. Sa\u00ed por a\u00ed, para ficar algumas semanas fora, e acabei ficando um ano sem estar em nenhum lugar. Depois vim\u00a0para c\u00e1, mesmo com o abismo exposto\u00a0desde a minha separa\u00e7\u00e3o. Mais um ano parado!<\/p>\n<p>Acho que cada um procura as solu\u00e7\u00f5es pelo seu jeito. Essas coisas traum\u00e1ticas n\u00e3o t\u00eam f\u00f3rmula&#8230; s\u00e3o dif\u00edceis de atravessar.<\/p>\n<p>Lembrei de uma outra hist\u00f3ria de f\u00edgado. \u00c9 sobre Prometeu, que foi acorrentado\u00a0depois de roubar\u00a0o fogo dos deuses para entreg\u00e1-lo aos homens. Na mitologia, a puni\u00e7\u00e3o de Prometeu foi ser\u00a0acorrentado e ter seu f\u00edgado comido diariamente por uma ave\u00a0eternamente, com o f\u00edgado a se regenerar continuamente. Na minha vis\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 Prometeu quem recebe a grande puni\u00e7\u00e3o, e sim,\u00a0a ave, que, n\u00e3o tendo nada a ver com o crime, recebe o castigo de comer f\u00edgado pela eternidade.<\/p>\n<p>T\u00eam coisas piores do que f\u00edgado?<\/p>\n<p>Bem, t\u00eam coisas piores do que a solid\u00e3o: a separa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Gostar de algu\u00e9m e ser deixado quando a rela\u00e7\u00e3o entre os dois \u00e9 forte, ou, pelo menos, ainda o \u00e9 para o que foi deixado, como meu caso, \u00e9 pesado, muito dif\u00edcil de aguentar. Acho que o trabalho \u00e9 um fardo. \u00c9 n\u00e3o sentir um apoio, aquele fato de voltar pra casa e encontrar, ou ainda esperar algu\u00e9m. Mas por outro lado, ajuda a distrair os sentimentos, a sensa\u00e7\u00e3o de peda\u00e7os faltando.<\/p>\n<p>Lembran\u00e7as. Tamb\u00e9m tenho guardado tudo o que posso da Jan. Foram 10 anos perfeitos, imposs\u00edvel aceitar que um dia tivesse de acabar. Acho que \u00e9 uma coisa que eu nunca\u00a0vou entender&#8230; como algu\u00e9m que voc\u00ea conhece pode ter uma vis\u00e3o t\u00e3o diferente dos mesmos fatos? Mas tudo bem, acho que faz parte. Por\u00e9m, foi um amor t\u00e3o especial, t\u00e3o cheio de felicidade&#8230; tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que jamais encontrarei outra pessoa como Jan. Mesmo que eu volte a ser feliz, acho que jamais encontrarei algu\u00e9m que me complete como Jan.<\/p>\n<p>\u00c1s vezes, penso em estudar outros buracos. Tenho muitas barreiras para falar e escrever sobre eles, embora veja os buracos como termos t\u00e9cnicos, sem o menor problema. Consigo entender razoavelmente bem. Mas, sei l\u00e1, parece que n\u00e3o saio do lugar. Estudo um semestre, paro, volto a fazer o mesmo n\u00edvel em outro buraco e assim vai&#8230; n\u00e3o tenho vontade de ficar noutros buracos, nas mesmas coisas. Agora, com toda essa tristeza, n\u00e3o quero estudar outro buraco mesmo. Mas talvez fosse uma boa coisa pra fazer.<\/p>\n<p>Bom, \u00e9 isso.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil entender a vida.<\/p>\n<p>Tenho amigos, tenho programas, saio para encontrar pessoas na mesma situa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 h\u00e1 meses&#8230; nesta semana, uma dessas pessoas quis\u00a0algum tipo de envolvimento. Ou, talvez, sondar a possibilidade. Eu, com muito cuidado, tentei explicar que n\u00e3o me sentia atra\u00eddo, que n\u00e3o tinha nada a ver com ela&#8230; mas n\u00e3o fui muito feliz, pois ela acabou irritada e brigou comigo. \u00c9 com essas pessoas que acabo tendo contatos mais freq\u00fcentes, pessoas que eu chamaria de &#8220;amigas&#8221;. S\u00e3o elas, ao mesmo tempo, que insistem que devo esquecer, que devo partir para outra, que ficar parado \u00e9 pior. Foi por isso que acabei namorando por correspond\u00eancia, participando de encontros \u00e0s escuras com amigas de amigos&#8230;<\/p>\n<p>Como algumas das pessoas que eu conhe\u00e7o est\u00e3o\u00a0fora do meu caminho, isso dificulta a possibilidade de encontros, de sair, de conhecer &#8220;de verdade&#8221;. Na pr\u00e1tica, n\u00e3o est\u00e1 dando certo&#8230; continuo a preferir estudar buracos e trocar informa\u00e7\u00f5es sobre isso com outras pessoas, ao inv\u00e9s de sair com elas. Fico dividido. Alguma coisa me impele a procurar companhia, mas outra for\u00e7a me leva sempre a arranjar motivos para ficar aqui, para n\u00e3o me envolver, para evitar contatos &#8220;reais&#8221;. N\u00e3o sei se vou vencer essa barreira, atravessar esse abismo, mas acho que o contato com outras pessoas tem me feito pensar mais no assunto. Se, um dia, uma dessas for\u00e7as vai vencer dentro de mim, \u00e9 dif\u00edcil definir ainda.<\/p>\n<p>Acho que o caminho \u00e0 beira do abismo \u00e9 longo e espinhento, cheio de voltas e reviravoltas. Por isso teimo em carregar minhas coisas, mas s\u00f3 para casos de emerg\u00eancia&#8230; lanterna, corda, sapato com pregos. Espero que esta terapia d\u00ea resultados um dia.<\/p>\n<p>Apesar de estar separado h\u00e1 mais de um ano e ter dificuldades em esquecer o trauma, est\u00e1\u00a0sendo dif\u00edcil &#8220;voltar ao normal&#8221;. Ningu\u00e9m quer ficar sozinho, mas alguns, tais como eu, quando est\u00e3o neste meu estado, podem achar\u00a0tudo sem gra\u00e7a, n\u00e3o tendo a\u00a0vontade ter algum tipo de relacionamento. Olha, j\u00e1 tentei pegar uma p\u00e1 e jogar terra sobre o assunto. Depois, joguei mais terra e mais e mais e mais. N\u00e3o fez a menor diferen\u00e7a&#8230; esse buraco n\u00e3o tem fundo. Nunca, mas nunca mesmo, ele vai estar coberto.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou misturando esse sentimento de saber que \u00e9 imposs\u00edvel terminar com esse abismo com minha\u00a0vontade. Tenho a consci\u00eancia de que n\u00e3o posso ficar assim pra sempre. Por isso\u00a0tenho a\u00a0tentativa de conhecer novas pessoas, embora sem inten\u00e7\u00e3o de um relacionamento maior do que estudo de buracos, a princ\u00edpio. Ser feliz n\u00e3o \u00e9 um objetivo claro. Em alguns momentos, parece que tanto faz o que vir a acontecer. Depois, como neste instante, as coisas mudam e fico achando que devo tomar alguma atitude&#8230; e assim vai, oscilando entre um e outro estado. \u00c0s vezes atravesso o abismo&#8230; mas olho para tr\u00e1s e o abismo continua l\u00e1, e eu ainda estou na beira dele,\u00a0na necessidade de\u00a0atravessar para o outro lado. N\u00e3o fez a menor diferen\u00e7a o trabalho de atravessar.<\/p>\n<p>Pegar na enxada e na p\u00e1 me fez lembrar o quanto acabo envolvido com o trabalho quando estou em per\u00edodo de pesquisa. \u00c0s vezes porque preciso, \u00e0s vezes sem perceber. Tenho a tend\u00eancia de ficar imerso no buraco e estar sempre procurando assuntos relativos a ele.<\/p>\n<p>Come\u00e7o a ver algumas vantagens em ficar sozinho, pequenas coisinhas que eu tinha deixado de fazer, por escolha pr\u00f3pria. A maioria, por falar nisso. Agora posso voltar a incorporar meu jeito de ser. Ontem, por exemplo, sa\u00ed para ver um jogo na televis\u00e3o&#8230; \u00e9 um avan\u00e7o!<\/p>\n<p>Tenho altos e baixos nessa &#8220;fase de recupera\u00e7\u00e3o&#8221;. \u00c0s vezes estou feliz de estar sozinho e \u00e0s vezes me sinto vazio e sem vontade de fazer nada, bastante triste. Depois me recupero e assim vai. Faz parte do processo de tapar buracos, suponho.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s estamos atr\u00e1s de uma paix\u00e3o, mesmo quando n\u00e3o estamos, n\u00e9? O problema \u00e9 quando a paix\u00e3o acaba&#8230; ou quando n\u00e3o sentimos mais vontade de procurar por uma.<\/p>\n<p>Fico oscilando entre querer mudar minha vida e voltar \u00e0 anterior. Tudo \u00e9 sempre um grande problema&#8230; todas essas decis\u00f5es, n\u00e3o conseguir saber o que \u00e9 melhor para mim&#8230;<\/p>\n<p>De qualquer forma, quando estou aqui, estou feliz ao m\u00e1ximo. No entanto, quando estou aqui, penso em ter companhia para fazer alguma coisa al\u00e9m do que ficar aqui.<\/p>\n<p>Fico me sentindo no dever de decidir, mas, ao mesmo tempo, um medo de tomar iniciativas que me levem a caminhos definitivos. Que bobagem, n\u00e9? \u00c9 s\u00f3 um medo. Eu sei que posso dominar a situa\u00e7\u00e3o se eu quiser, mas o medo, pequeno, est\u00e1 sempre l\u00e1. Tenho medo de ficar longe de minhas coisas, mas tamb\u00e9m tenho medo de ficar sozinho. E, mesmo percebendo que s\u00e3o medos imagin\u00e1rios, que tais coisas s\u00e3o incompat\u00edveis, sei l\u00e1 o que acontece&#8230; n\u00e3o consigo sair desse impasse.<\/p>\n<p>Talvez a situa\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja compat\u00edvel com ser uma pessoa feliz, mas, fazer o qu\u00ea? N\u00e3o me parece que seja assim, mas, ao mesmo tempo, seria uma explica\u00e7\u00e3o para o que acontece dentro de mim. Indefini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tem tantas coisas que poderiam ser mais simples se eu n\u00e3o precisasse pesar e pensar, refletir e medir&#8230; n\u00e3o consigo escapar disso. Ah, sei l\u00e1.<\/p>\n<p>J\u00e1 tive outros buracos em minha vida. A \u00faltima vez foi\u00a0h\u00e1 mais de doze anos, quando eu tinha s\u00e9rios problemas e crises que me faziam pensar que a auto-destrui\u00e7\u00e3o era a \u00fanica sa\u00edda. De alguma forma, ter cavado meu pr\u00f3prio buraco naquela \u00e9poca garantiu minha sobreviv\u00eancia mais recente, ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o. A separa\u00e7\u00e3o foi o buraco mais profundo que eu j\u00e1 vi e, mesmo assim, nenhum pensamento ruim me passou pela cabe\u00e7a. Nunca tentei pular l\u00e1 dentro. Ah, pensei em me jogar l\u00e1 dentro, acabar com tudo, sim. Mas n\u00e3o de maneira s\u00e9ria&#8230; se eu quisesse, teria feito isso. Foram em alguns dias meio ruins. Sinto que avan\u00e7o &#8211; devagar, mas &#8220;em frente&#8221;.<\/p>\n<p>Ontem eu estava escrevendo sobre buracos e me passou pela cabe\u00e7a uma observa\u00e7\u00e3o interessante. Era sobre eu passar uma ideia, para os outros, de que adoro o que eu fa\u00e7o. Verdade, \u00e0s vezes eu nem noto, mas o trabalho de pesquisar as profundezas \u00e9 muito divertido, apesar das cavernas terrivelmente quentes em que tenho trabalhado. Detesto ter de lidar com o calor. Sinto um prazer muito grande quando tenho um barranco que me faz chegar a novas descobertas.\u00a0Acho que sou meio bobalh\u00e3o&#8230; adoro pesquisar isso! Claro que o ideal \u00e9 poder viver, tamb\u00e9m, mas numa rela\u00e7\u00e3o entre explorador e abismo, ao inv\u00e9s de &#8220;achar&#8221; vida l\u00e1 fora, o mais comum \u00e9 re-encontrar aqui dentro algo para fazer.<\/p>\n<p>Acho que vou tomar banho. Estou precisando, trabalhei muito hoje!<\/p>\n<p>Com Jan, eu queria que fiz\u00e9ssemos tudo juntos. Mas infelizmente, Jan n\u00e3o queria&#8230; dizia que n\u00e3o precisava, que se eu \u00e9 que estava arranjando coisas para fazer, eu \u00e9 que tinha de procurar&#8230; chato, n\u00e3o \u00e9? Depois da separa\u00e7\u00e3o ela foi fazer o que bem quis, sem a minha presen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9, acho que preciso de um banho. Hoje marcava 41 graus no term\u00f4metro que eu coloquei l\u00e1 em baixo, n\u00e3o d\u00e1 para ver daqui. Uma vez, tive de trabalhar numa sauna&#8230; mas \u00e9 \u00f3timo estar l\u00e1 embaixo, mesmo que eu fique desidratado. A sensa\u00e7\u00e3o de falar para as paredes&#8230; \u00e0s vezes falo com elas. Ora, algumas paredes s\u00e3o quentinhas e vale a pena encostar-se nelas. Acho que eu at\u00e9 gosto.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 complicado mesmo&#8230; t\u00eam muitas coisas que aconteceram que me deixaram chateado nos \u00faltimos dias. Por mais que eu tivesse a habilidade de contornar os problemas, n\u00e3o d\u00e1 pra dizer que tudo tenha ficado bem a ponto de tomar uma decis\u00e3o tranquila sobre o meu futuro. Acho que preferi optar por esconder diante do desafio.<\/p>\n<p>Por que paredes? A sensa\u00e7\u00e3o de um afastamento \u00e9 real&#8230; isso realmente aconteceu. Mas foi uma esp\u00e9cie de jogo de medos que sempre podem ser interpretados como uma &#8220;fuga&#8221;. \u00c9 por causa de nossos pequenos &#8220;medos&#8221; que agimos de tal forma. Isso aconteceu, mas como um teste: eu tinha expectativas diversas que n\u00e3o foram atendidas na minha pesquisa aqui e isso foi gerando uma certa inseguran\u00e7a. N\u00e3o pensem que a decis\u00e3o de ficar aqui foi f\u00e1cil. O medo batia o tempo todo. Por mais racional que eu tente ser, eu preciso dizer a mim mesmo o tempo todo: &#8220;\u00e9 s\u00f3 uma visita, vai ficar tudo bem&#8221;. Repito isso\u00a0muitas vezes sem parar, para disfar\u00e7ar o p\u00e2nico, para que talvez eu nunca mais volte. O que passa l\u00e1 dentro e n\u00e3o podemos admitir \u00e9: ser\u00e1 que eu vou sair? Ser\u00e1 que eu vou rever a luz? Isso pode crescer\u00a0e ficar maior do que podemos calcular.<\/p>\n<p>Meu jeito \u00e9\u00a0ficar neutro numa decis\u00e3o. Sou racional e pare\u00e7o frio nessas horas. Engano&#8230; a vis\u00e3o da parede que temos n\u00e3o chega perto da realidade. Somente o tato pode dar o verdadeiro conhecimento. Algumas paredes s\u00e3o quentinhas, mesmo que as apar\u00eancias delas sejam de sombra e frio. Ser neutro tem a ver com ci\u00eancia, n\u00e3o com frieza. Sei que as pessoas t\u00eam dificuldade para perceber que sou comum&#8230;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m conhece mais o valor das pequenas coisas do que eu&#8230; algumas at\u00e9 carrego comigo. Qualquer dia eu mostro pra voc\u00eas&#8230;<\/p>\n<p>Sobre o meu casamento, s\u00f3 tenho a dizer que tentei de tudo: ser rebelde, ser paciente, ser eu mesmo, ser outra pessoa. O companheiro ideal na vis\u00e3o do outro nem sempre \u00e9 aquilo que voc\u00ea \u00e9 ao natural. Ent\u00e3o o que sei \u00e9 que se algu\u00e9m n\u00e3o te ama mais, n\u00e3o adianta fazer das tripas um cora\u00e7\u00e3o&#8230; n\u00e3o h\u00e1 mais nada a\u00a0fazer. E n\u00e3o acredito nessa hist\u00f3ria que foi algo que eu fiz, ou deixei de fazer, que fez Jan deixar de gostar de mim. As pessoas podem deixar de gostar de algu\u00e9m independentemente do que elas fazem ou n\u00e3o, porque, pelo outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que as pessoas podem te amar pelo que voc\u00ea faz ou n\u00e3o. Logo ap\u00f3s a confus\u00e3o ter se dissipado e Jan\u00a0ter parado de p\u00f4r a culpa em mim por n\u00e3o\u00a0sentir mais paix\u00e3o,\u00a0ela\u00a0me disse, separando-se da minha vida:<\/p>\n<p><em>&#8211; Eu sei que nunca vou encontrar algu\u00e9m como voc\u00ea. Voc\u00ea foi\u00a0perfeito, mas n\u00e3o consigo viver sem paix\u00e3o. E eu n\u00e3o tenho mais paix\u00e3o no meu corpo. Vou me arrepender de ficar longe de voc\u00ea. N\u00e3o existe ningu\u00e9m parecido, mas \u00e9 melhor viver longe de algu\u00e9m perfeito do que viver com ele sem existir uma paix\u00e3o que justifique a conviv\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p>Isso justifica, segundo Jan, o fim de um casamento, mas n\u00e3o o fim de uma amizade. Para nos manter longe um do outro, Jan tem outros motivos. Ela me disse que n\u00e3o me quer por perto porque tem medo de n\u00e3o resistir ao meu carinho. Jan n\u00e3o me quer por perto sabendo que eu ainda tenho esses sentimentos todos. Jan ainda me quer bem e n\u00e3o me quer sofrendo, mas n\u00e3o pode fazer nada. Ent\u00e3o, o abismo nos separou. Nem amigos poderemos ser, pois dificilmente vou deixar de amar Jan.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso reclamar. Quando vejo casamentos em que cada parceiro reclama um do outro, acho que, desgra\u00e7a por desgra\u00e7a, a minha n\u00e3o \u00e9 das piores. O que sempre busquei foi o reconhecimento de que eu estava fazendo o que podia&#8230; Jan reconhece isso. Ent\u00e3o&#8230; \u00e9 isso.<\/p>\n<p>Ah, n\u00e3o sei nada mesmo.<\/p>\n<p>Ah, tipo assim&#8230; todo mundo sabe que o S\u00f3crates, fil\u00f3sofo grego, n\u00e3o deixou nada escrito. Mas h\u00e1 uma frase dele que algu\u00e9m lembrou de deixar pra hist\u00f3ria que \u00e9: &#8220;tudo o que sei \u00e9 que nada sei&#8221;.<\/p>\n<p>Ou, se preferir a minha vers\u00e3o atualizada para os dias de hoje, j\u00e1 que n\u00e3o consigo copiar nada sem alterar um pouco: &#8220;Tudo o que sei, \u00e9 que sei menos que o S\u00f3crates&#8221;.<\/p>\n<p>Deixaram a frase do homem intocada por 2500 anos e eu acabo de alter\u00e1-la&#8230; o mundo deve estar mesmo esquisito!<\/p>\n<p>Mas tudo isso, era s\u00f3 pra dizer que n\u00e3o sei nada, n\u00e3o afirmo nada, n\u00e3o ponho a m\u00e3o no fogo por nada e quem quiser acreditar, fa\u00e7a-o por sua pr\u00f3pria conta e risco.<\/p>\n<p>Gostar\u00a0n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o possamos analisar, esmiu\u00e7ar, estudar, dissecar e destacar&#8230; bom, fa\u00e7o isso com pessoas, filmes, poesias. Acho que tamb\u00e9m posso fazer isso com os pontos que gosto e os que n\u00e3o gosto&#8230;<\/p>\n<p>Acho que n\u00e3o fecharemos nenhum abismo, nunca&#8230; sempre que lembrarmos de algo, voltaremos a eles!<\/p>\n<p>Eu fazia isso, \u00e0s vezes: mergulhava em filmes&#8230; por alguns anos foi minha principal divers\u00e3o! Mas, sei l\u00e1, o tempo passa, e sempre existir\u00e1 o problema da impossibilidade de ler, ver e comer tudo. E isso \u00e9 bem complicado!<\/p>\n<p>Agora estou vendo pouca coisa, e n\u00e3o ter com quem comentar \u00e9 muito ruim&#8230; buraco.<\/p>\n<p>Quando a gente fica meio assim, meio sozinho, d\u00e1 um vazio&#8230;<\/p>\n<p>Ontem eu n\u00e3o estava bem&#8230; n\u00e3o por alguma causa espec\u00edfica. Eu s\u00f3 n\u00e3o estava bem&#8230; estava triste. Mas ningu\u00e9m entende, acham que eu estou me fazendo de v\u00edtima, cavando meu pr\u00f3prio buraco.<\/p>\n<p>At\u00e9 quis sair&#8230; eu estava s\u00f3 piorando. S\u00f3 queria um &#8220;oi&#8221;, ter alguma esperan\u00e7a, mas&#8230; estou aqui. N\u00e3o comi direito o dia todo, eu n\u00e3o dormi nada de madrugada, dormi no meio do banho&#8230;<\/p>\n<p>Estou cansado.<\/p>\n<p>Lembro de uma briga. Eu precisava de carinho&#8230; talvez fosse a hora errada, sei l\u00e1.<\/p>\n<p>Mas tudo bem. Fico ouvindo m\u00fasica aqui, ent\u00e3o, fico melhor&#8230; estou bem. Quero que todo mundo fique bem tamb\u00e9m. Mesmo que ningu\u00e9m me entenda, eu quero todo mundo bem e sempre vou querer bem&#8230;<\/p>\n<p>Sinto falta de estar &#8220;ligado&#8221; a algu\u00e9m&#8230; mesmo sem falar com as pessoas, saber que algu\u00e9m est\u00e1 bem \u00e9 t\u00e3o bom. Sei l\u00e1.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia faz isso, acho. Ent\u00e3o vem c\u00e1, fica pertinho de mim, me d\u00e1 um colo, vai&#8230; t\u00f4 precisando. T\u00f4 pedindo, n\u00e3o precisa me perdoar, n\u00e3o precisa me desculpar, s\u00f3 estou meio sozinho.<\/p>\n<p>Sempre que come\u00e7o a falar isso come\u00e7o a chorar&#8230; por que ser\u00e1? T\u00f4 cansado de ser chor\u00e3o, queria que isso j\u00e1 tivesse passado. Queria brigar com algu\u00e9m e ficar furioso, n\u00e3o triste! Ser\u00e1 que eu fico triste porque n\u00e3o brigo com ningu\u00e9m ou n\u00e3o brigo porque estou triste?<\/p>\n<p>\u00c0s vezes vejo algumas pessoas que n\u00e3o est\u00e3o bem e vou l\u00e1 bater nelas. E depois, elas t\u00eam toda a raz\u00e3o em pensar mal de mim. Na hora n\u00e3o penso direito&#8230; vejo aquele buraco de nada e fico com raiva. Acho um desaforo ficar triste por causa de po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua. Por que eu tenho esse vazio enorme e outras pessoas tem apenas uma leve depress\u00e3o em suas vidas? Ent\u00e3o, na hora, n\u00e3o levo a s\u00e9rio&#8230; assim n\u00e3o d\u00e1, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>\u00c0s vezes preciso de ajuda e preferem n\u00e3o levar a s\u00e9rio meu pedido de socorro, preferem achar que \u00e9 outra coisa. Mas tudo bem, n\u00e3o t\u00f4 t\u00e3o mal assim. Estava mal h\u00e1 um tempo atr\u00e1s, quando uma menina veio e me tirou da escurid\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00e3o me importo quando \u00e0s vezes n\u00e3o quiserem me ajudar, afinal, acho que eu estou explorando cavernas para ficar bem. N\u00e3o \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m ficar dispon\u00edvel, ainda mais como se fosse um anjo da guarda em tempo integral.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o ruim estar inst\u00e1vel! Quando eu estava casado eu gostava mais de mim. Fazer o que, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Bom, acho que eu n\u00e3o me sinto seguro. T\u00eam certas coisas que mexem aqui dentro, me deixando confuso.<\/p>\n<p>Quando eu vi Jan pela primeira vez, eu senti uma for\u00e7a, uma coisa inexplic\u00e1vel&#8230; n\u00e3o conseguia parar de olhar. Conheci outras pessoas assim. Engra\u00e7ado! Sinto uma coisa parecida por outras pessoas, \u00e0s vezes. N\u00e3o vou mentir que senti isso por outras pessoas&#8230; mas foram poucas. Queria encontrar algu\u00e9m e sentir o mesmo, sei l\u00e1. Isso \u00e9 muito doloroso. Tenho medo de n\u00e3o ter mais isso. Eita! N\u00e3o posso chorar, tenho muita coisas para fazer hoje.<\/p>\n<p>Depois de conhecer a Jan, nos casamos ap\u00f3s 6 meses. Fico sempre pensando que foi a melhor coisa que fiz na vida, mas escuto sempre as vozes das pessoas dizendo que foi bobagem fazer isso, que t\u00e3o r\u00e1pido assim n\u00e3o ia dar em nada. N\u00e3o queria ter essa d\u00favida&#8230; faz-me sentir culpado. Droga! Vou ter de falar sobre outra coisa, n\u00e3o posso chorar&#8230;<\/p>\n<p>Acho que vou trocar a m\u00fasica que est\u00e1 tocando por outra. Assim, eu n\u00e3o tenho tanta vontade de chorar&#8230;<\/p>\n<p>Esperem a\u00ed&#8230; nem lembro porque eu estava dizendo tudo isso.<\/p>\n<p>Queria encontra algu\u00e9m para poder dizer:<\/p>\n<p><em>&#8211; Sinto sua falta. Fica comigo? Te amo, te amo muito&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Tudo \u00e9 bom e ruim ao mesmo tempo. Estou conhecendo pessoas, pessoas\u00a0as quais a gente se afasta &#8211; como sempre acontece, for\u00e7as maiores interferem -, mas ainda assim tenho uma longa jornada junto \u00e0 algu\u00e9m. Est\u00e1 sendo divertido.<\/p>\n<p>Esses dias pra tr\u00e1s, encontrei uma pessoa especial. Garanto que a amizade ainda vai salvar a minha vida&#8230;<\/p>\n<p>Eu sei, tudo acaba um dia! Ent\u00e3o, se n\u00e3o nos conhecermos, pulamos esse trauma. Mas a jornada solit\u00e1ria \u00e9 sem gra\u00e7a, ou, pelo menos, menos divertida do que acompanhada de algu\u00e9m que tem algo para dizer. Mesmo que o outro des\u00e7a na pr\u00f3xima parada, o passeio \u00e9 melhor com alguma companhia.<\/p>\n<p>Puxa, tem coisa que \u00e9 meio chata de dizer quando a gente n\u00e3o conhece bem a pessoa para quem fala&#8230;<\/p>\n<p>Uma vez uma amiga me perguntou se eu tive v\u00e1rios casos ao mesmo tempo&#8230; a resposta foi:<\/p>\n<p><em>&#8211; Sim, tive v\u00e1rias amores ao mesmo tempo, certa \u00e9poca. Uma delas foi Jan. Aconteceu de estar com duas pessoas na mesma casa, mas n\u00e3o no mesmo quarto, quer dizer, n\u00e3o estava fazendo nada obsceno &#8211; maneira delicada de dizer que eu n\u00e3o estava transando com duas pessoas ao mesmo tempo.<\/em><\/p>\n<p>Todas as pessoas que estavam comigo, nessa \u00e9poca, sabiam umas das outras. E acredite ou n\u00e3o, eram avisadas que eu n\u00e3o pretendia &#8220;me livrar&#8221; das anteriores. Mas Jan expulsou todas, uma a uma. N\u00e3o diretamente, mas foi dando um jeito de me deixar sempre ocupado, at\u00e9 dar um basta. Tive de escolher entre Jan e as outras pessoas. Sempre tive a sensa\u00e7\u00e3o de ter feito a melhor troca da minha vida, mas agora, diante da separa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tenho muita certeza do que \u00e9 certo, melhor, bom ou qualquer coisa assim. Estou tentando manter a mente aberta, e n\u00e3o ter moral. Mas \u00e9 claro (e ficou claro, na \u00e9poca) que ter muitos relacionamentos ao mesmo tempo era sinal de n\u00e3o gostar de nenhuma pessoa tanto quanto eu pensava que gostava.<\/p>\n<p>Atualmente, saio com uma pessoa desconhecida a cada 15 dias, em busca de alguma coisa que eu nem sei o que \u00e9. \u00c9 quase uma busca m\u00e1gica, achando que, quando encontrar, vou saber o que eu procurava. Mas n\u00e3o vejo nenhuma pessoa por mais do que um encontro&#8230;<\/p>\n<p>Quanto tempo uma tempestade pode durar? Uma tempestade pode durar.. sei l\u00e1&#8230; at\u00e9 40 dias e 40 noites? O que \u00e9 uma crise? Depois da tempestade ficamos mais fortes?<\/p>\n<p>O que resiste a uma tempestade talvez n\u00e3o fique necessariamente mais forte. Pode ser ilus\u00e3o, causada pelo tempo bom. Durante a tempestade, a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo\u00a0poderia acabar mal pode fazer com que, com a melhora do tempo, nossas expectativas sobre a sobreviv\u00eancia sejam muito grandes&#8230; fica dif\u00edcil medir com certeza. Isso \u00e9 tudo um &#8220;talvez&#8221;. No fim, estou apenas fazendo conjecturas sem maiores preocupa\u00e7\u00f5es em relacionar isso com algo concreto.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou &#8220;bom&#8221;, &#8220;bonito&#8221; ou o que quer que seja. Sou apenas eu mesmo e n\u00e3o h\u00e1 valor nisso: \u00e9 como ser &#8220;inteligente&#8221;, ou &#8220;baixinho&#8221; ou &#8220;narigudo&#8221;&#8230; n\u00e3o fa\u00e7o de prop\u00f3sito. Ali\u00e1s, se precisasse ser mais inteligente do que j\u00e1 sou, como \u00e0s vezes a vida exige, tamb\u00e9m eu n\u00e3o poderia fazer nada. N\u00e3o sou inteligente ou burro porque quero, mas porque algo (biol\u00f3gico, social ou espiritual) maior do que eu, me fez assim. Claro que o contr\u00e1rio pode acontecer&#8230; algumas pessoas querem (ou gostam) de ser burras. Mas \u00e9 dif\u00edcil julgar onde fica o livre arb\u00edtrio diante de tudo isso. Somos o que somos ou somos o que queremos ser? Se somos o que queremos ser, o que determina o nosso &#8220;querer&#8221; ser assim? Quando estou cercado de pessoas mais inteligentes do que eu fico pensando muito nisso&#8230; sobre n\u00e3o poder ser mais do que eu sou e eles n\u00e3o poderem ser menos do que s\u00e3o.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, diante disto, fica dif\u00edcil decidir at\u00e9 quando ser bom. Devemos apenas ser at\u00e9 que n\u00e3o se possa mais ser ou ser enquanto n\u00e3o estamos sendo machucados por isso? Mas d\u00e1 pra ser t\u00e3o racional na hora de escolher? Acho que n\u00e3o. Talvez eu at\u00e9 possa fazer isso de maneira consciente e dar um basta quando isto pode estar me machucando, mas, de modo geral, nunca me lembro de pensar nesta possibilidade. Como eu dizia: sou o que sou, sem querer.<\/p>\n<p>Ah, mas pra ser justo, tem de ver tamb\u00e9m o outro lado: tamb\u00e9m sou ego\u00edsta.<\/p>\n<p>Bom, estou numa fase muito inst\u00e1vel. Isso reflete diretamente nos meus relacionamentos: brigo com todo mundo, at\u00e9 com minha sombra. Turbul\u00eancia, como eu havia nomeado h\u00e1 alguns dias atr\u00e1s, quando explicava o que acontecia comigo para outra pessoa. Tempestade.<\/p>\n<p>Acho que eu gosto de pintar a mim mesmo de tons mais bonitos do que os reais. Acho que sem as cores, o que eu tenho dentro me parece feio, cru e destruidor para as pessoas. Acredito que nesta fase em que estou sem a fina capa protetora de \u00f3leo, h\u00e1 muito atrito.<\/p>\n<p>As pessoas t\u00eam isso&#8230; se voc\u00ea foi a vida toda brig\u00e3o, as pessoas n\u00e3o ligam muito para mais uma briga. Mas se, pelo contr\u00e1rio, voc\u00ea foi de alguma forma cordial e atencioso, nestas fases de &#8220;briga&#8221;, o que as pessoas gostam de ver \u00e9 ego\u00edsmo, m\u00e1-f\u00e9, maldade, m\u00e1-inten\u00e7\u00e3o e agress\u00e3o.<\/p>\n<p>Acho muito injusto que eu n\u00e3o possa ter meus curtos per\u00edodos de depress\u00e3o, de fossa ou, como \u00e0s vezes, de aus\u00eancia de meias-palavras, de lubrificante ou de tato.<\/p>\n<p>Como pessoa sem pele, percebo que a vis\u00e3o que as pessoas t\u00eam de mim \u00e9 nojenta. Entendo a necessidade de dist\u00e2ncia; eu tamb\u00e9m quero dist\u00e2ncia, n\u00e3o quero que me vejam assim, que me achem feio.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o sou feio, como tamb\u00e9m antes, com pele, n\u00e3o era bonito. O que elas n\u00e3o podem ver acima das sua pr\u00f3prias sensa\u00e7\u00f5es de nojo, \u00e9 que esta vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 imparcial e que, principalmente, o asco delas me fere demais.<\/p>\n<p>Sexta-feira sa\u00ed com uma pessoa que me disse em um certo instante:<\/p>\n<p><em>&#8211; Eu poderia ter feito uma descri\u00e7\u00e3o horr\u00edvel de mim e talvez n\u00e3o estiv\u00e9ssemos aqui.<\/em><\/p>\n<p>Essa pessoa estava se referindo a uma enorme cicatriz no rosto, que eu nem havia percebido que estava l\u00e1. Era fruto de um acidente de carro h\u00e1\u00a0quase 20 anos atr\u00e1s, onde mais de 100 pontos haviam sido necess\u00e1rios para reconstruir aquela face.<\/p>\n<p>Minha incapacidade de perceber detalhes s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 pior do que a minha capacidade de ler sinais e entender formas alien\u00edgenas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 bom conhecer novas pessoas.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei bem para onde estou indo quando entro no abismo, mas sei que as pessoas n\u00e3o gostam e que n\u00e3o querem ir junto.<\/p>\n<p>Seja l\u00e1 o que eu disse no passado, por esta eu n\u00e3o esperava. Assim que voltei do isolamento l\u00e1 de baixo, pareceu que a falta de minha pele tornou-se um grande espet\u00e1culo. Me chamaram para fora da caverna e agora acham que sou horr\u00edvel. O que isto quer dizer? Quer dizer que n\u00e3o me escutaram, que n\u00e3o ouviram meu pedido para ficar sozinho, que acharam que eu estava sendo ego\u00edsta? N\u00e3o entendo nada. Se me querem como estou, me amem como me monstro. Se n\u00e3o querem, ent\u00e3o me deixem s\u00f3, porque em ess\u00eancia, talvez, eu sempre tenha sido uma monstruosidade.<\/p>\n<p>Ontem uma pessoa me mandou uma mensagem cheia de desaforos\u00a0sobre minhas atitudes. Levou meu mergulho no abismo para o lado da ofensa pessoal. Depois, ainda acha que minhas brincadeiras est\u00fapidas s\u00e3o uma grande ofensa. Tamb\u00e9m briguei com outra pessoa que acha que demonstrar qualquer coisa al\u00e9m do meu comportamento usual \u00e9 reprov\u00e1vel, um tipo de crime que eu nem sabia que existia.<\/p>\n<p>Estou desabafando demais, n\u00e9? Desculpem-me, \u00e9 que estou muito sozinho neste instante.<\/p>\n<p>Mas estou aqui&#8230; talvez meio agressivo, violento para as pessoas. Mas o que eu quero \u00e9 que olhem para dentro, bem dentro de mim e vejam que abrir o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exatamente uma forma de agress\u00e3o como tende a ser interpretado.<\/p>\n<p>Bom, algu\u00e9m tinha d\u00favidas sobre o que eu falei? Sobre a forma? Sobre o conte\u00fado? Sobre partes espec\u00edficas ou sobre o geral? Pelo menos ainda n\u00e3o perdi a estranha mania de querer explicar tudo at\u00e9 onde puder. Ent\u00e3o aproveitem&#8230; adoro saciar d\u00favidas. \u00c9 s\u00f3 o que me sobrou para dizer.<\/p>\n<p>E desculpem-me se a linguagem est\u00e1 crua e direta, ok? N\u00e3o sei realmente se devo me desculpar, mas como cada vez que eu me comunico com algu\u00e9m sou mal interpretado e agredido, melhor me precaver&#8230; estou cansado de apanhar.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei mais o que \u00e9 certo ou o que \u00e9 justo, mas \u00e9 bom saber que algu\u00e9m, em algum lugar, pensa como estamos pensando. \u00c9 bom pensar que existe esperan\u00e7a depois da tempestade, pensar que haver\u00e1 um porto seguro onde as pessoas se encontrar\u00e3o para confraternizar. \u00c9 bom n\u00e3o ter sido bombardeado como inimigo porque fui longe demais, onde as pessoas n\u00e3o reconhecem mais minha nave.<\/p>\n<p>Se eu pensar que n\u00e3o tenho amigo nenhum, vou ficar muito mal. \u00c9 melhor n\u00e3o voltar meus pensamentos nesta dire\u00e7\u00e3o&#8230; melhor pensar que eles n\u00e3o s\u00e3o capazes de compreender a gente suficientemente bem do que pensar que eles n\u00e3o s\u00e3o amigos.<\/p>\n<p>O que acontece comigo? Nada al\u00e9m do que sempre tem acontecido&#8230; um vazio. Estar separado \u00e9 uma barra pesada demais. Se eu n\u00e3o tivesse nada para, de vez em quando, iluminar minha vida, n\u00e3o sei se eu estaria aqui&#8230; se eu teria for\u00e7as para ficar aqui. A vida perdeu a gra\u00e7a quando perdi algo que eu pensava ser eterno. Estou cansado de ouvir &#8220;a vida continua&#8221;. Talvez, ficar com raiva de tudo seja meu modo de levar as coisas, sei l\u00e1. S\u00f3 consigo pensar\u00a0na injusti\u00e7a que \u00e9 tudo isso. N\u00e3o sei de quem \u00e9 a culpa de termos expectativas altas na vida, mas elas est\u00e3o l\u00e1. Descobrir que as coisas nunca mais ser\u00e3o\u00a0como se esperava \u00e9 algo quase imposs\u00edvel de encarar.<\/p>\n<p>Possivelmente eu esteja no lugar errado e na hora errada, mas isso seria f\u00e1cil de resolver se as pessoas deixassem eu simplesmente ser o que eu preciso ou ser o que eu quero, neste instante. Estou cercado de pessoas que n\u00e3o entendem isso, ent\u00e3o, melhor ficar s\u00f3. Nesta luta, inocentes acabam se machucando. Sou como um elefante ou uma baleia&#8230; n\u00e3o posso recuar e ir embora sem deixar algum tipo de enorme vazio, inc\u00f4modo, talvez, mas real. As pessoas precisam entender, se quiserem alguma chance de ter relacionamento duradouro, que as coisas n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis aqui dentro. Tenho um abismo para levar comigo aonde quer que eu v\u00e1.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns dias li uma mensagem de uma amiga que dizia, num primor de candura:<\/p>\n<p><em>&#8211; Voc\u00ea \u00e9 uma pessoa querida por mim. Eu vou te perturbar sempre que eu quiser, n\u00e3o importa a situa\u00e7\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que est\u00e1vamos em uma certa sintonia porque hav\u00edamos nos conhecido\u00a0h\u00e1 pouco e, ao contr\u00e1rio de pessoas que conheci h\u00e1 mais tempo, n\u00e3o senti, como das outras vezes, ela me batendo para que eu voltasse ao normal. Sinto que estou sendo tratado pelos outros como um &#8220;possu\u00eddo&#8221; em plena idade m\u00e9dia. \u00c9 como uma sess\u00e3o de tortura, uma em cima da outra, tudo para o meu bem&#8230; n\u00e3o quero isso. Esperava que essa pessoa fosse diferente. Mas o que eu queria das outras pessoas \u00e9 essa abertura para me ouvir, para ver o que tenho a dizer, ao inv\u00e9s de escutar\u00a0o tempo todo que estou errado, que meu jeito \u00e9 errado, que o tom \u00e9 errado, que o conte\u00fado \u00e9 errado, que a forma \u00e9 errada. N\u00e3o quero que concordem comigo! S\u00f3 n\u00e3o quero ser massacrado&#8230;<\/p>\n<p>Comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil&#8230; como saber se o que interpretamos \u00e9 realmente o que foi intencionalmente escrito?<\/p>\n<p>Tenho saudades de\u00a0assistir\u00a0televis\u00e3o no final de noite junto a pessoa que escolhi passar o resto dos meus dias. Ser\u00e1 que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil para os outros entender que n\u00e3o posso estar &#8220;est\u00e1vel&#8221; como eles exigem? N\u00e3o estou pronto para ter de discutir nem paix\u00f5es imagin\u00e1rias nem nada ef\u00eamero. Tenho car\u00eancias reais&#8230; sofro, sinto dor, me sinto s\u00f3.<\/p>\n<p>Vou interromper. N\u00e3o quero mais escrever agora!<\/p>\n<p>(um tempo em sil\u00eancio)<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Engra\u00e7ado&#8230; j\u00e1 briguei com muita gente por ter sido assim. N\u00e3o estou em condi\u00e7\u00f5es de garantir que eu n\u00e3o seja. Isso era o que eu dizia, h\u00e1 muito tempo, sobre n\u00e3o precisar mais:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\">&#8211; J\u00e1 tenho tudo o que sempre desejei.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Eu dizia isso quando me referia a minha pr\u00f3pria vida. Estava casado, amando, sendo amado, com uma vida maravilhosa que, se n\u00e3o me dava dinheiro de sobra, tamb\u00e9m n\u00e3o me deixava passar fome. Era algo que eu batizei de &#8220;teoria da batata frita&#8221;. \u00c9 mais ou menos assim:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\">&#8211; Suponha que voc\u00ea venha andando pelo mundo, comendo de tudo, gostando de algumas coisas, n\u00e3o gostando de outras. Digamos que um dia encontre um prato &#8220;dos sonhos&#8221;, algo que o deixe extasiado e completamente satisfeito. Pode n\u00e3o ser a melhor coisa do mundo. Pode haver milh\u00f5es de coisas muito melhores pelo mundo, mas ap\u00f3s ter\u00a0a sensa\u00e7\u00e3o de ter encontrado algo &#8216;definitivo&#8217;, para qu\u00ea ir atr\u00e1s de outras coisas diferentes? N\u00e3o, n\u00e3o sou ambicioso. J\u00e1 encontrei o que me satisfaz. J\u00e1 tenho mais do que jamais imaginei que teria um dia. J\u00e1 encontrei a &#8220;batata frita&#8221; da minha vida e, portanto, posso comer isso pelo resto dos meus dias sabendo que sempre vou querer mais. N\u00e3o h\u00e1 como ficar &#8220;cheio&#8221; disso. Nunca terei\u00a0comido tanta batata frita que eu n\u00e3o queira comer mais, a ponto de precisar sair em busca de outras coisas. Se eu sair, \u00e9 poss\u00edvel que encontre novas e boas coisas, mas para que correr o risco, se a batata frita me d\u00e1 tudo o que quero?<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Sobre o que eu falava na &#8220;teoria da batata frita&#8221;? Eu falava era sobre casamento, relacionamentos, amigos, trabalho e sobre um certo desconforto, uma certa &#8220;cobran\u00e7a&#8221; que eu sentia em n\u00e3o ser &#8220;ambicioso&#8221;. O que eu dizia para as pessoas \u00e9 que eu n\u00e3o era &#8220;ganancioso&#8221;. Mas ambicioso&#8230; n\u00e3o posso dizer que eu n\u00e3o o fosse totalmente: ter um tesouro e querer mant\u00ea-lo para sempre n\u00e3o deixa de ser um tipo de ambi\u00e7\u00e3o. O que eu n\u00e3o entendia era essa gan\u00e2ncia dos seres humanos, de correrem atr\u00e1s de mais tesouros mesmo que j\u00e1 possu\u00edssem outros\u00a0maravilhosos. Isso n\u00e3o fazia sentido para mim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Agora tudo mudou. N\u00e3o tenho mais batata frita e perdi tudo o que sempre quis: uma fam\u00edlia, uma pessoa que me amava, a qual eu tinha a satisfa\u00e7\u00e3o de agradar para demonstrar o meu amor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">O momento pede reflex\u00e3o. Existe chance de recuperar isso? Resposta: n\u00e3o. Posso ter outra fam\u00edlia, claro, mas essa fam\u00edlia que eu amava tanto nunca mais vai existir. Me parece um bom motivo para ficar parado, na chuva, esperando a morte por inani\u00e7\u00e3o. Morreu a esperan\u00e7a&#8230; o que restar\u00e1 para nos mover? Este \u00e9 o meu momento. Estava distra\u00eddo, achando tudo muito bonitinho&#8230; via flores pelos campos, passarinhos, sol e borboletas; agora, acho que eu estava iludido. Nada existe. N\u00e3o sou amado, compreendido e estava vivendo em\u00a0uma ilus\u00e3o est\u00fapida.<\/span><\/p>\n<p>Saber que as coisas acabam n\u00e3o ajuda muito&#8230; da\u00ed o trauma. Quando eu estava casado, n\u00e3o pensava que poderia acabar. Agora isso n\u00e3o me sai da cabe\u00e7a&#8230; da\u00ed a tristeza&#8230;.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Depois de um tempo, todos temos expectativas. Usamos o &#8220;mostrar descontentamento&#8221; como um sinal de que queremos que o outro atenda nossas expectativas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">N\u00e3o quero me relacionar com ningu\u00e9m. N\u00e3o entendo paix\u00f5es por agora, n\u00e3o gosto de me relacionar sem paix\u00e3o, n\u00e3o quero me relacionar assim, n\u00e3o posso pensar em mudar e ser assim e n\u00e3o acredito que algu\u00e9m possa se apaixonar sem conviver. Erradas ou n\u00e3o, estas s\u00e3o as minhas cren\u00e7as a respeito do assunto. Ainda estou chorando minha separa\u00e7\u00e3o&#8230; ainda tenho um enorme abissal buraco aos meus p\u00e9s. Que relacionamento eu posso ter com qualquer outra pessoa? Fica dif\u00edcil para os dois. Para mim, que n\u00e3o estou a fim de conviver com uma pessoa e para a outra, que vai perceber como eu ainda sinto falta de Jan.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\">Estava acostumado com Jan a dizer tudo, o tempo todo. Jan era minha amiga&#8230; e mesmo nas quest\u00f5es de ci\u00fames, se eu dizia que uma certa pessoa me dava tes\u00e3o, por exemplo, Jan tentava ver isso como algo positivo. Ela tentava ser aberta o m\u00e1ximo poss\u00edvel, para que lid\u00e1ssemos com isso. Resolv\u00edamos tudo juntos. Eramos amigos al\u00e9m de um casal. Sinto falta disso nas pessoas&#8230; ficar escondendo que a faxineira me d\u00e1 tes\u00e3o n\u00e3o me parece motivo de censura. Acho que as pessoas n\u00e3o est\u00e3o acostumadas a dizer a verdade umas para as outras. Um sistema no qual\u00a0tudo o que \u00e9 perguntado, \u00e9 respondido com sinceridade extrema, pode n\u00e3o ser compat\u00edvel com o que as pessoas est\u00e3o acostumadas ou esperam da gente. Fui me acostumando a isto nos \u00faltimos anos, mas agora come\u00e7o a perceber que minha vida sempre esteve cercada, nos bons momentos, de pessoas parecidas comigo, que podiam contar e ouvir tudo. Percebo tamb\u00e9m que ficar pr\u00f3ximo a pessoas que n\u00e3o querem um comportamento t\u00e3o aberto \u00e9 prejudicial a minha sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Eu digo &#8220;coisas ofensivas&#8221; h\u00e1 muito tempo. Eu me vejo sempre assim, fazendo coisas que podem machucar. Lido com o que eu penso ser &#8220;verdade&#8221;, e isso gera antipatia, dependendo de quem \u00e9 atingido. Ent\u00e3o sei que essas coisas de &#8220;n\u00e3o gostarem&#8221; sempre existir\u00e1\u00a0para o resto da minha vida. O que eu n\u00e3o entendo \u00e9 como certas pessoas t\u00eam a capacidade de serem compreensivas e outras, que me conhecem h\u00e1 tanto tempo, n\u00e3o t\u00eam essa capacidade ou vontade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Sou paciente, claro. Estou numa fase mais &#8220;besta&#8221; e n\u00e3o tenho agido como sempre fa\u00e7o. Estou mais sens\u00edvel a tudo, mas&#8230; normalmente n\u00e3o ligo tanto que n\u00e3o gostem. Ali\u00e1s, muita gente nunca gostou do que eu fa\u00e7o. Estou preso a algo que n\u00e3o se resolve, um ponto pequeno, mas que atrapalha minha vida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Eu tinha come\u00e7ado a chorar aqui nesse ponto, ontem. N\u00e3o deu pra trabalhar mais. Depois, passei o dia chorando e resolvi &#8220;me fechar para o mundo&#8221; de alguma forma. Fiz algo que gosto: explorar buracos. Um dos planos de me afastar das pessoas era isso: fazer o que eu preciso fazer. Deprimido, mas trabalhando, que \u00e9 como deve ser, n\u00e9?<\/span><\/p>\n<p>Acabei de me lembrar de um amigo. Isso aconteceu h\u00e1 mais de 10 anos atr\u00e1s. Um dia, fui visit\u00e1-lo e encontrei o apartamento dele todo diferente.. foi a esposa dele quem me recebeu. Conversamos um pouco, pois eu tamb\u00e9m era amigo dela, e, depois de um tempo, perguntei por ele e ela me disse:<\/p>\n<p><em>&#8211; N\u00e3o estamos mais juntos&#8230; ele n\u00e3o est\u00e1 mais morando aqui.<\/em><\/p>\n<p>Foi um choque&#8230;<\/p>\n<p>Algumas semanas depois, quando finalmente est\u00e1vamos eu e ele conversando a respeito disso, ele disse:<\/p>\n<p><em>&#8211; Ela pintou tudo, apagou todas as poesias, n\u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Enquanto casado, ele tinha as paredes do apartamento totalmente rabiscadas com poesias dele e de seus poetas preferidos.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos em um grupo de 7 ou 8 pessoas quando isso aconteceu. O grupo todo ficou em sil\u00eancio por alguns instantes quando ele disse isso&#8230; havia uma certa tristeza nas palavras dele. Ent\u00e3o eu interrompi e disse:<\/p>\n<p><em>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdade que as poesias foram apagadas&#8230; elas est\u00e3o l\u00e1, ainda, s\u00f3 que embaixo da tinta.<\/em><\/p>\n<p>As pessoas acharam gra\u00e7a. Um sorriso apareceu e um brilho no olhar surgiu nos olhos dele, como se tivesse dizendo: &#8220;Obrigado por me ter dito isso! Eu n\u00e3o tinha visto por este \u00e2ngulo!&#8221;<\/p>\n<p><span style=\"color: #800080;\">\u00c9, mas as pessoas s\u00e3o complicadas. N\u00e3o posso dizer que n\u00e3o tenha &#8220;tra\u00eddo&#8221; Jan, mesmo que tenha ficado &#8220;apenas&#8221; no &#8220;quase&#8221;. N\u00e3o existe &#8220;apenas&#8221; e &#8220;quase&#8221;. Jan estava me deixando muito inseguro&#8230; as brigas eram constantes, existiam muitas provoca\u00e7\u00f5es e ela mencionava frequentemente algumas de suas &#8220;paix\u00f5es&#8221; (plat\u00f4nicas) que estava tendo. Cada vez eu me sentia mais exclu\u00eddo do casamento e, num certo momento, com 5 anos de casados, eu passei a noite com outra pessoa. Embora nada tenha acontecido, isso mudou minha vida. Decidi que iria &#8220;reconquistar&#8221; Jan. Eu queria estar casado, logo, passei a ser mais atencioso, mais rom\u00e2ntico, mais emocional, mais animal. Tentei resgatar aos pouquinhos o in\u00edcio de nosso casamento, e felizmente, isso deu certo. Tivemos uma \u00f3tima fase. Mas Jan n\u00e3o conseguiu fazer o mesmo quando foi sua a vez de &#8220;decidir&#8221; o nosso futuro&#8230; Jan estava tendo uma atra\u00e7\u00e3o forte demais por algu\u00e9m do trabalho. Ela me dizia que, ao contr\u00e1rio de mim, se tivesse a chance que eu tive, n\u00e3o deixaria escapar. Iria &#8220;consumar o fato&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Bom, acreditem, isso \u00e9 natural, mesmo na intensidade que est\u00e1 parecendo. \u00c9 normal olhar algu\u00e9m na TV e sentir tes\u00e3o. \u00c9 normal para uma mulher sonhar com um &#8220;gal\u00e3&#8221; da TV. \u00c9 normal um homem ter atra\u00e7\u00e3o por outras pessoas no dia-a-dia. O problema n\u00e3o \u00e9 esse&#8230; o problema \u00e9 &#8220;sublimar isso&#8221;, fingindo que n\u00e3o aconteceu (ou mesmo acreditar que n\u00e3o aconteceu). Pior \u00e9 esconder isso &#8220;para n\u00e3o magoar o outro&#8221; ou qualquer outra alternativa doentia. A humanidade convive com isso, de maneira hip\u00f3crita. Isso n\u00e3o quer dizer que a atra\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a o tempo todo, mas acontece. E, o melhor a se fazer \u00e9 ser honesto um com o outro o m\u00e1ximo que for poss\u00edvel para cada um. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Quando fiquei com outra pessoa, falei com Jan na mesma noite em que isso aconteceu. Eu nem poderia ter feito diferente&#8230; Jan j\u00e1 tinha feito algo parecido antes, uns dois anos antes dessa ocasi\u00e3o. Se Jan podia superar os desejos de beijar algu\u00e9m, em certa ocasi\u00e3o, eu tamb\u00e9m poderia. O caso parecia superado. Voltamos a nos &#8220;comportar&#8221; apaixonadamente, como sempre, mas, \u00e9 claro, por ocasi\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o, tudo reapareceu. Jan lembrou das vezes em que eu tinha tido atra\u00e7\u00f5es por outras pessoas e n\u00e3o das vezes em que nada aconteceu. \u00c9 normal querer por a culpa em mim por n\u00e3o gostar mais de mim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Mas a trai\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi assim. N\u00e3o sa\u00ed simplesmente &#8220;planejando&#8221; isso. Ela era uma conhecida do trabalho, era anivers\u00e1rio dela, sua casa foi a recep\u00e7\u00e3o de uma janta para colegas e por fim, as pessoas foram embora e eu fiquei para conversar. Eu tinha bebido e estava carente, como ocorre em diversos momentos de um relacionamento&#8230; Jan vinha me tratando muito mal h\u00e1 semanas. Essa pessoa foi ficando &#8220;insinuante&#8221;, provocante e, ao inv\u00e9s de encontrar algu\u00e9m para conversar, acabei envolvido. Por algumas horas, lutei contra meu desejo do momento. Acho que mesmo estando sob efeito do \u00e1lcool, me comportei bem e n\u00e3o fiz nada al\u00e9m de um beijo que recebi e que n\u00e3o recusei&#8230; mesmo morrendo de tes\u00e3o, n\u00e3o fui al\u00e9m daquele beijo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Jan, nesta \u00e9poca, j\u00e1 me deixava confuso. Ela falava em separa\u00e7\u00e3o, que eu devia procurar outra pessoa, que n\u00e3o sentia mais vontade de pertencer a um casamento. De alguma forma, eu me senti empurrado&#8230; foi Jan que insistiu que eu fosse na festa, que me divertisse. Quando isso realmente aconteceu, o susto que eu tomei me fez recobrar a consci\u00eancia sobre o que eu queria realmente: apesar de ser paciente nas brigas com Jan, decidi que eu iria me esfor\u00e7ar muito mais. Decidi que eu n\u00e3o queria outra pessoa, por mais sedutora que fosse. Decidi reconquistar Jan tendo o dobro da paci\u00eancia, o dobro da aten\u00e7\u00e3o, refazendo cada coisinha que eu sempre tive de uma maneira especial e sendo mais do que sempre tivera sido, mesmo nos momentos bons do in\u00edcio do casamento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">N\u00e3o sei se isso n\u00e3o foi pior&#8230; se isso n\u00e3o estragou tudo. De certa forma, era Jan que deveria ter feito isso e n\u00e3o eu. Era Jan que estava me perdendo, naquela ocasi\u00e3o, me &#8220;colocando para fora&#8221; do casamento. Isso at\u00e9 Jan concorda, por\u00e9m tem explica\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas complicadas, algo que trouxe da fam\u00edlia dela, coisa de inf\u00e2ncia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Eu sei que eu devia ter feito isso antes de ter acontecido algo mais s\u00e9rio, mas acredite, quando a gente \u00e9 jovem &#8211; a gente sempre \u00e9 &#8211; n\u00e3o temos experi\u00eancia. S\u00f3 se tem isso quando n\u00e3o d\u00e1 mais para aplicar. Se eu soubesse, ao ir para a festa, que isso poderia acontecer, eu n\u00e3o teria ido. Paci\u00eancia! Errei, sou humano. Mas n\u00e3o posso colocar a culpa de tudo em um momento de fraqueza que teve uma influ\u00eancia direta de Jan. Se eu fizer isso, terei de admitir que n\u00e3o podemos viver nunca felizes no universo. Todo mundo erra. Se os erros n\u00e3o t\u00eam volta, como ficaremos todos? A frase &#8220;errar \u00e9 humano&#8221; deve ter um significado para todo mundo, contanto que haja aprendizado, n\u00e3o \u00e9?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Considero um erro eu ter ignorado sinais que mostravam claramente que tudo poderia chegar nesse ponto. N\u00e3o me culpo. Meu erro foi subestimar que tudo \u00e9 poss\u00edvel, que tudo pode acontecer. E eu que achava que estava imune a isso. Estarei preparado para a pr\u00f3xima vez&#8230; acho que n\u00e3o corro o risco de fazer como certas pessoas que aprovam a pr\u00f3pria conduta ou a repetem, dizendo para si mesmos que nada podem fazer. Eu n\u00e3o pude fazer nada, mas da pr\u00f3xima vez poderei. \u00c9 tarde para ter influ\u00eancia no meu casamento, mas n\u00e3o para um pr\u00f3ximo relacionamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Tivemos v\u00e1rias crises ao longo do casamento: uma no in\u00edcio, outra aos dois anos e depois, nos finais de ano at\u00e9 a separa\u00e7\u00e3o.\u00a0N\u00e3o posso confundir uma das crises com uma crise \u00fanica, pois quando Jan entrava em crise por causa da fam\u00edlia &#8211; o final de ano era uma \u00e9poca terr\u00edvel para ela &#8211; ou em crise profissional, ela\u00a0sempre jogava a culpa no casamento. Eu sempre\u00a0fui\u00a0paciente e esperava tudo passar e voltar ao normal. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">No entanto, existiu uma crise s\u00e9ria, nos \u00faltimos dois anos de casamento. Sim, mas n\u00e3o posso confundir isso, como se fosse um prolongamento de uma crise de 5 anos atr\u00e1s. Sen\u00e3o, teria de considerar outras crises tamb\u00e9m nessa contagem pra dizer que o casamento foi uma crise \u00fanica desde o primeiro dia. Eu sei que trai\u00e7\u00e3o \u00e9 uma falta imperdo\u00e1vel e que, talvez, isso tenha sido a causa adormecida de uma n\u00e3o reconcilia\u00e7\u00e3o no final dos 10 anos. Mas n\u00e3o acredito nessa hip\u00f3tese! Seria muito simplista da minha parte. \u00c9 preciso encontrar e conhecer o contexto de cada crise de cada briga ou haver\u00e1 um reducionismo a um fato s\u00f3. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Este momento de &#8220;fraqueza&#8221; &#8211; trai\u00e7\u00e3o &#8211; havia sido constru\u00eddo h\u00e1 muito tempo, aos dois anos de casado, quando, de maneira crescente, Jan me &#8220;empurrava&#8221; para fora da rela\u00e7\u00e3o com brigas constantes e sem sentido, talvez por alguma culpa na consci\u00eancia. Talvez eu tenha sido pouco paciente. Jan sempre foi muito mimada, centrada nela mesma, filha ca\u00e7ula de uma fam\u00edlia de seis filhos. Sempre esteve acostumada a fazer o que queria e como queria, e \u00e9 poss\u00edvel que esse jeito irrespons\u00e1vel de levar a vida tenha piorado tudo&#8230; nem sempre fui paciente. Era nesses momentos de crise que isso aflorava. Nunca vou saber se, nessas horas, a culpa era\u00a0minha, por n\u00e3o ter sido ainda mais paciente do que eu fora ou se, realmente, tratava-se de momentos &#8220;incontorn\u00e1veis&#8221;. De qualquer forma, foram v\u00e1rios momentos de crises, e n\u00e3o um \u00fanico que se prolongou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">N\u00e3o sei&#8230; faz mais de 10 anos que n\u00e3o me apaixono. Suponho que agora eu seja exigente, j\u00e1 que n\u00e3o me apaixono mais e tenho conhecido muitas pessoas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080;\">Agora sou solit\u00e1rio. N\u00e3o frequento nenhum lugar. \u00c9 preciso ficar 10 anos casados para entender que os amigos do casal n\u00e3o s\u00e3o amigos de cada um dos dois. Isso \u00e9 estranho, mas verdadeiro. Os antigos amigos de solteiro desapareceram com o tempo, at\u00e9 por causa do casamento. Os novos amigos s\u00e3o muito recentes&#8230; fica dif\u00edcil eu me encaixar se n\u00e3o tiver pelo menos uma companhia para fazer &#8220;programas de casal&#8221;. Ent\u00e3o o que sobra para fazer \u00e9 um lanche de vez em quando em algum intervalo. \u00c9 dif\u00edcil transpor esta barreira&#8230; sou meio lerdo para fazer amigos. Geralmente, eu preciso de muitos anos para chegar num n\u00edvel de amizade que eu considere ideal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080;\">Esse abismo me faz pensar&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Eu estava assistindo\u00a0um filme chamado &#8220;Sonhos de uma noite de inverno&#8221;. B\u00e1sico, gostoso, perfeito&#8230; um filme t\u00e3o bom quanto um beijo. Ele retratava os problemas de um grupo de teatro. Vi perfeitamente tudo o que Jan vive: ang\u00fastias, frustra\u00e7\u00f5es, medos, prazer, sucesso, reconhecimento &#8211; tudo na medida certa. Definitivamente, este foi o melhor filme sobre teatro que vi na vida. Chorei um pouco durante o filme, e mais um pouco depois. Fui trabalhar, mas antes, passei na locadora e comprei uma c\u00f3pia do filme. Comprei para dar a Jan, mas depois, me lembrei que n\u00e3o podia fazer isso. Eu n\u00e3o era nem mais amigo, nem nada. Jan n\u00e3o iria gostar. Mais tarde, aqui, fiquei pensando sobre estar longe de Jan&#8230; &#8220;desesperan\u00e7a&#8221;. Fiquei muito mal. Chorei, chorei muito, chorei at\u00e9 dormir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">N\u00e3o sei onde colocar meus beijos. Perdi a no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 desperd\u00edcio. Pensei: para que comprar uma c\u00f3pia do filme para Jan? Provavelmente Jan j\u00e1 viu esse filme&#8230; \u00e9 isso um desperd\u00edcio de beijo? Querer dar carinho a quem n\u00e3o mais o quer?<\/span><\/p>\n<p>Um dia uma amiga me perguntou sobre o casamento. Vendo este enorme vazio na minha vida, esse buraco no meu ch\u00e3o, achou que o casamento devia ser uma coisa muito ruim e que eu, provavelmente, achava que ela n\u00e3o deveria se casar:<\/p>\n<p><em>&#8211; O casamento n\u00e3o valeu a pena?<\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Sei que valeu a pena, sim. Num formul\u00e1rio, h\u00e1 pouco tempo, tinha um campo para preencher que era assim:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Qual a melhor coisa que voc\u00ea j\u00e1 fez na vida?<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">E a minha resposta, prontamente, foi:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff;\">&#8211; Casar!<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Casamento \u00e9 como sorvete. \u00c9 como chocolate. \u00c9&#8230; \u00f3timo!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Nunca negarei que casar \u00e9 maravilhoso. Todo esse meu estado de tristeza e depress\u00e3o \u00e9 pelo fato de meu casamento ter sido a melhor \u00e9poca da minha vida. Se tivesse sido ruim, eu estaria bem com a separa\u00e7\u00e3o&#8230; teria me recuperado mais r\u00e1pido. O problema \u00e9 esse: quem vai se &#8220;encaixar&#8221; t\u00e3o perfeitamente na minha vida como Jan? Quem vai despertar meu desejo cada vez que a vejo, mesmo depois de tantos anos? Quem vai me deixar orgulhoso, algu\u00e9m que eu possa admirar sem hesita\u00e7\u00e3o? Quem vai me completar em tantas coisas como Jan completava? <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">N\u00e3o \u00e9 a &#8220;pessoa&#8221;, mas sim, o &#8220;relacionamento&#8221; que me deixa deprimido. Se uma pessoa que tinha tanto a ver com minha vida, coisa t\u00e3o rara, n\u00e3o durou quase nada como relacionamento, apenas dez anos, imagino qual a chance de eu ser feliz com o resto das pessoas que tenho conhecido e que n\u00e3o se encaixam em meu jeito de ser, pensar, sentir e agir&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff;\">Isso tudo \u00e9 algo que d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia diante do destino. Sinto a incapacidade de ser feliz, com algu\u00e9m, novamente&#8230; incapacidade de me livrar do abismo. Isso faz com que eu veja que as minhas melhores chances de voltar a viver \u00e9 ficar completamente sozinho. A impress\u00e3o que d\u00e1 \u00e9 que j\u00e1 vivi toda minha cota de felicidade poss\u00edvel, a no\u00e7\u00e3o de que eu nem precisaria mais sobreviver por aqui. Mas tudo isso n\u00e3o \u00e9 nada. Essa tristeza imensa n\u00e3o \u00e9 nada comparada com a felicidade que eu tive, ent\u00e3o eu jamais poderia dizer: &#8220;n\u00e3o se case&#8221;. Eu digo: case, seja feliz, viva plenamente e cuide de todos os pequenos momentos, como eu fiz, para n\u00e3o esquecer de nada, pois se durar pouco, como o meu casamento durou, ainda assim ter\u00e1 valido a pena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Ah, mas: &#8220;depois do choro vem sempre a bonan\u00e7a&#8221;&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Eu poderia colar aqui aquelas frases dos di\u00e1rios de meninas que dizem:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800000;\">&#8211; Sorria, mesmo que seja um sorriso triste, porque mais triste que um sorriso triste, \u00e9 a tristeza de n\u00e3o saber sorrir!<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Mas \u00e9 uma grande bobagem, claro. \u00c9 prefer\u00edvel chorar muito do que conviver com essas obriga\u00e7\u00f5es que n\u00e3o gostamos. Eu tamb\u00e9m tinha de fazer algo outro dia e fiquei dormindo, escondido, com medo. E comer f\u00edgado \u00e9 uma merda&#8230; se a vida \u00e9 f\u00edgado, melhor n\u00e3o comer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Mas quem sabe estamos enganados? Talvez n\u00e3o seja f\u00edgado, seja sorvete e nem tenhamos percebido! Como eu disse noutro momento, fiquei aqui com um beijo a ser dado e sem uma boca a beijar, porque meu desejo morria comigo. A boca de Jan vinha \u00e0 minha mente, mas n\u00e3o mais estava aqui. Mas, espere! Eu estava com ent\u00e3o comprada fita\u00a0&#8220;Sonhos de uma Noite de Inverno&#8221; na m\u00e3o e levei at\u00e9 Jan, j\u00e1 que ia passar l\u00e1 perto. Chegando l\u00e1, perguntei se Jan j\u00e1 conhecia o filme e Jan disse:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800000;\">&#8211; Sim! Esse filme \u00e9 maravilhoso! \u00c9 um filme incr\u00edvel!<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Da\u00ed eu disse:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800000;\">&#8211; \u00c9 para voc\u00ea&#8230; \u00e9 um presente. Quando vi lembrei de voc\u00ea, e acho que ele deve ser seu&#8230;<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\">Jan me abra\u00e7ou e agradeceu, contente. Ent\u00e3o mesmo sem boca, o beijo foi dado, n\u00e3o acham? Eu estou feliz com o gesto&#8230; Jan est\u00e1 feliz com a vida. Estamos todos felizes da maneira que nos \u00e9 poss\u00edvel&#8230; \u00e9 bom poder dar um beijo de cora\u00e7\u00e3o e algu\u00e9m que gostamos receber esse beijo de cora\u00e7\u00e3o&#8230; aberto.<\/span><\/p>\n<p>\u00c9 isso, talvez a vida seja f\u00edgado. Alguns nascem gostando dessa porcaria nojenta. S\u00e3o como aquelas pessoas que est\u00e3o sempre sorrindo, belas, com a vida cheia de sol, passarinhos na janela e borboletas&#8230;<\/p>\n<p>E tem as pessoas que odeiam f\u00edgado, que entre ter de comer isso, sentir o cheiro desagrad\u00e1vel da coisa ou morrer, preferem n\u00e3o viver. Mas tem o caso intermedi\u00e1rio&#8230; a maioria: pessoas que n\u00e3o odeiam f\u00edgado &#8211; apenas n\u00e3o gostam muito ou nunca provaram.<\/p>\n<p>Se um dia tiverem de comer f\u00edgado, coloquem muito tempero, cebola, alho ou algo que tire o sabor ruim da carne&#8230;<\/p>\n<p>O grande lance da vida \u00e9 esse: levar a vida, que tem gosto ruim, com um monte de batata frita e tudo o que tiver de bom, pra distrair a gente daquele cheiro e gosto horr\u00edveis.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a9 Victor M. Sant&#8217;Anna 2002<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Direitos Reservados &#8211; n\u00e3o copie sem autoriza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-203\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png?resize=260%2C115\" alt=\"Barcode - Buraco\" width=\"260\" height=\"115\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o O personagem come\u00e7a a cena sentado \u00e0 beira de um enorme buraco no centro do palco. Ele vai contracenar o tempo todo com este \u00fanico objeto: a aus\u00eancia de um ch\u00e3o. Ao redor do buraco, encontra-se alguns artigos\u00a0como uma corda (para subir, escapar ou pairar perigosamente sobre o abismo) ou uma cadeira (para ficar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[16],"tags":[342,190,65,128,247,307,39,129,23,339,54,86,341,61,49,343,340,198],"class_list":["post-202","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-drama-ou-tragedia-monologos-de-longa-duracao","tag-abismo","tag-amor","tag-ator","tag-buraco","tag-casamento","tag-depressao","tag-drama","tag-figado","tag-monologo","tag-paixao","tag-peca","tag-separacao","tag-sinceridade","tag-teatro","tag-tragedia","tag-tristeza","tag-verdade","tag-vida"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>&quot;O Buraco&quot; Ou &quot;Eu Odeio F\u00edgado&quot; - Textos Teatro<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"&quot;O Buraco&quot; Ou &quot;Eu Odeio F\u00edgado&quot; \u00e9 um texto de drama\/trag\u00e9dia para teatro. Um mon\u00f3logo sobre casamento, separa\u00e7\u00e3o e vida.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"&quot;O Buraco&quot; Ou &quot;Eu Odeio F\u00edgado&quot; - Textos Teatro\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"&quot;O Buraco&quot; Ou &quot;Eu Odeio F\u00edgado&quot; \u00e9 um texto de drama\/trag\u00e9dia para teatro. Um mon\u00f3logo sobre casamento, separa\u00e7\u00e3o e vida.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Textos Teatro\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2015-03-25T21:17:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2015-06-18T14:37:36+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"http:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"victormsantanna@gmail.com\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"victormsantanna@gmail.com\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"55 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"victormsantanna@gmail.com\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/d23d26da3f0967bc4f711d3a0c01207e\"},\"headline\":\"&#8220;O Buraco&#8221; Ou &#8220;Eu Odeio F\u00edgado&#8221;\",\"datePublished\":\"2015-03-25T21:17:14+00:00\",\"dateModified\":\"2015-06-18T14:37:36+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/\"},\"wordCount\":10973,\"commentCount\":0,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2014\\\/12\\\/Barcode-Buraco.png\",\"keywords\":[\"abismo\",\"amor\",\"ator\",\"buraco\",\"casamento\",\"depress\u00e3o\",\"drama\",\"f\u00edgado\",\"mon\u00f3logo\",\"paix\u00e3o\",\"pe\u00e7a\",\"separa\u00e7\u00e3o\",\"sinceridade\",\"teatro\",\"trag\u00e9dia\",\"tristeza\",\"verdade\",\"vida\"],\"articleSection\":[\"Drama ou Trag\u00e9dia\"],\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/\",\"name\":\"\\\"O Buraco\\\" Ou \\\"Eu Odeio F\u00edgado\\\" - Textos Teatro\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2014\\\/12\\\/Barcode-Buraco.png\",\"datePublished\":\"2015-03-25T21:17:14+00:00\",\"dateModified\":\"2015-06-18T14:37:36+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/d23d26da3f0967bc4f711d3a0c01207e\"},\"description\":\"\\\"O Buraco\\\" Ou \\\"Eu Odeio F\u00edgado\\\" \u00e9 um texto de drama\\\/trag\u00e9dia para teatro. Um mon\u00f3logo sobre casamento, separa\u00e7\u00e3o e vida.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2014\\\/12\\\/Barcode-Buraco.png?fit=260%2C115&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2014\\\/12\\\/Barcode-Buraco.png?fit=260%2C115&ssl=1\",\"width\":260,\"height\":115},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"&#8220;O Buraco&#8221; Ou &#8220;Eu Odeio F\u00edgado&#8221;\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/\",\"name\":\"Textos Teatro\",\"description\":\"Textos para Teatro Gr\u00e1tis\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"en-US\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/d23d26da3f0967bc4f711d3a0c01207e\",\"name\":\"victormsantanna@gmail.com\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/d53240f07a09e26f3baffd9c1ed3c80a1b57231931cdf7ec4cce342eb226b58d?s=96&d=wavatar&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/d53240f07a09e26f3baffd9c1ed3c80a1b57231931cdf7ec4cce342eb226b58d?s=96&d=wavatar&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/d53240f07a09e26f3baffd9c1ed3c80a1b57231931cdf7ec4cce342eb226b58d?s=96&d=wavatar&r=g\",\"caption\":\"victormsantanna@gmail.com\"},\"description\":\"Autor de Textos para Teatro.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/www.textosteatro.com\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/textosteatro.com\\\/br\\\/author\\\/victormsantannagmail-com\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"\"O Buraco\" Ou \"Eu Odeio F\u00edgado\" - Textos Teatro","description":"\"O Buraco\" Ou \"Eu Odeio F\u00edgado\" \u00e9 um texto de drama\/trag\u00e9dia para teatro. Um mon\u00f3logo sobre casamento, separa\u00e7\u00e3o e vida.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/","og_locale":"en_US","og_type":"article","og_title":"\"O Buraco\" Ou \"Eu Odeio F\u00edgado\" - Textos Teatro","og_description":"\"O Buraco\" Ou \"Eu Odeio F\u00edgado\" \u00e9 um texto de drama\/trag\u00e9dia para teatro. Um mon\u00f3logo sobre casamento, separa\u00e7\u00e3o e vida.","og_url":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/","og_site_name":"Textos Teatro","article_published_time":"2015-03-25T21:17:14+00:00","article_modified_time":"2015-06-18T14:37:36+00:00","og_image":[{"url":"http:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png","type":"","width":"","height":""}],"author":"victormsantanna@gmail.com","twitter_misc":{"Written by":"victormsantanna@gmail.com","Est. reading time":"55 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/"},"author":{"name":"victormsantanna@gmail.com","@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/#\/schema\/person\/d23d26da3f0967bc4f711d3a0c01207e"},"headline":"&#8220;O Buraco&#8221; Ou &#8220;Eu Odeio F\u00edgado&#8221;","datePublished":"2015-03-25T21:17:14+00:00","dateModified":"2015-06-18T14:37:36+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/"},"wordCount":10973,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png","keywords":["abismo","amor","ator","buraco","casamento","depress\u00e3o","drama","f\u00edgado","mon\u00f3logo","paix\u00e3o","pe\u00e7a","separa\u00e7\u00e3o","sinceridade","teatro","trag\u00e9dia","tristeza","verdade","vida"],"articleSection":["Drama ou Trag\u00e9dia"],"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/","url":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/","name":"\"O Buraco\" Ou \"Eu Odeio F\u00edgado\" - Textos Teatro","isPartOf":{"@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png","datePublished":"2015-03-25T21:17:14+00:00","dateModified":"2015-06-18T14:37:36+00:00","author":{"@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/#\/schema\/person\/d23d26da3f0967bc4f711d3a0c01207e"},"description":"\"O Buraco\" Ou \"Eu Odeio F\u00edgado\" \u00e9 um texto de drama\/trag\u00e9dia para teatro. Um mon\u00f3logo sobre casamento, separa\u00e7\u00e3o e vida.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/#breadcrumb"},"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png?fit=260%2C115&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/textosteatro.com\/br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Barcode-Buraco.png?fit=260%2C115&ssl=1","width":260,"height":115},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-buraco-ou-eu-odeio-figado\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"&#8220;O Buraco&#8221; Ou &#8220;Eu Odeio F\u00edgado&#8221;"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/#website","url":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/","name":"Textos Teatro","description":"Textos para Teatro Gr\u00e1tis","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"en-US"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/#\/schema\/person\/d23d26da3f0967bc4f711d3a0c01207e","name":"victormsantanna@gmail.com","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d53240f07a09e26f3baffd9c1ed3c80a1b57231931cdf7ec4cce342eb226b58d?s=96&d=wavatar&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d53240f07a09e26f3baffd9c1ed3c80a1b57231931cdf7ec4cce342eb226b58d?s=96&d=wavatar&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/d53240f07a09e26f3baffd9c1ed3c80a1b57231931cdf7ec4cce342eb226b58d?s=96&d=wavatar&r=g","caption":"victormsantanna@gmail.com"},"description":"Autor de Textos para Teatro.","sameAs":["http:\/\/www.textosteatro.com"],"url":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/author\/victormsantannagmail-com\/"}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p58CN8-3g","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=202"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":336,"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202\/revisions\/336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}