{"id":122,"date":"2014-11-24T12:04:16","date_gmt":"2014-11-24T15:04:16","guid":{"rendered":"http:\/\/textosteatro.com\/br\/?p=122"},"modified":"2015-06-18T12:00:52","modified_gmt":"2015-06-18T15:00:52","slug":"o-noivo-virtual-dr-viktor-frankenstein-2m-1f","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/textosteatro.com\/br\/o-noivo-virtual-dr-viktor-frankenstein-2m-1f\/","title":{"rendered":"O(a) Noivo(a) Virtual Do Dr. Viktor Frankenstein (2m 1f)"},"content":{"rendered":"<p><center><a href=\"http:\/\/www.safecreative.org\/work\/0710020004994\" rel=\"cc:license\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/resources.safecreative.org\/work\/0710020004994\/label\/barcode2-150\" alt=\"Safe Creative #0710020004994\" \/><\/a><\/center><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div align=\"Center\">\n<h1>O(a) Noivo(a) Virtual Do Dr. Viktor Frankenstein<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Faz uns 12\/13 anos que prometi uma com\u00e9dia, mas estava dif\u00edcil. \u00c9 preciso muita desgra\u00e7a para me fazer ter vontade de escrever algo engra\u00e7ado. Partes deste texto foram escritas inicialmente em 21 de janeiro de 1993.<\/p>\n<p>Os personagens de Mary Shelley, conhecidos meus (atrav\u00e9s das\u00a0diversas vers\u00f5es cinematogr\u00e1ficas de sua obra), sempre foram os meus preferidos da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. A primeira vez que pensei em escrever uma pe\u00e7a &#8220;n\u00e3o muito s\u00e9ria&#8221;, &#8220;\u00cdgor&#8221; e &#8220;Dr. Frank&#8221; surgiram da mem\u00f3ria. Eles foram minha primeira op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O nome que imaginei durante este longo per\u00edodo foi algo como: &#8220;O m\u00e9dico, o monstro, \u00cdgor e o Dr. Frankenstein&#8221;. Como\u00a0qualquer t\u00edtulo serve, deixei mais pr\u00f3ximo do que \u00e9 agora. Passou a ser: &#8220;\u00cdgor e o Monstro do Dr. Frank&#8221;,\u00a0cujos\u00a0nomes foram alterados para V\u00edgor e Franco (tenho um amigo, engenheiro qu\u00edmico, de sobrenome Franco). Um dos \u00faltimos nomes que adotei foi &#8220;O Monstro do Dr. Franco&#8221;. N\u00e3o era nada definitivo\u00a0e, como\u00a0perdeu um pouco da for\u00e7a, voltei aos nomes anteriores, na tentativa de preservar algo.<\/p>\n<p>Pelo menos o t\u00edtulo, da forma como se encontra no momento, est\u00e1 menos pretensioso do que uma das sugest\u00f5es que cheguei a pensar (seriamente): &#8220;Frankstein de Victor Sant\u2019Anna&#8221;. Atualmente, ainda em car\u00e1ter tempor\u00e1rio, penso\u00a0que &#8220;A Noiva Virtual do Dr. Viktor Frankenstein&#8221; \u00e9 bem melhor do que &#8220;O Monstro do Dr. Frank&#8221;.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e0 rubrica que est\u00e1 infestando as falas, elas s\u00e3o apenas indicadores. Na falta de contexto,\u00a0achei prudente manter a ideia original em algumas das situa\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que\u00a0as ocasi\u00f5es c\u00f4micas surgiram de\u00a0tra\u00e7os experimentares\u00a0de interpreta\u00e7\u00e3o. Cabe ressaltar que este texto \u00e9 uma colcha de retalhos, quase como o monstro da obra que inspirou esta com\u00e9dia.<\/p>\n<p>No m\u00ednimo\u00a0tr\u00eas personalidades distintas para \u00cdgor, o meu &#8220;alter-ego&#8221;, poder\u00e3o ser identificadas, dependendo da \u00e9poca em que cada trecho foi escrito. Todos os personagens aqui, de certa forma, s\u00e3o eu mesmo.<\/p>\n<div align=\"Right\">Victor, julho de 2002<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os personagens<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong> \u00cdgor:<\/strong> \u00e9 o tradicional assistente de pesquisa dos filmes de terror. \u00c9 uma mistura de lacaio e mordomo. Ele\u00a0veste\u00a0uma t\u00fanica do tipo &#8220;monge&#8221;, caminha como se tivesse uma corcunda e arrasta uma das pernas de vez em quando. \u00c0s vezes, \u00cdgor usa uma bengala, outras um cajado,\u00a0algumas uma muleta, de vez em quando contracena usando uma cadeira de rodas e ocasionalmente\u00a0anda normalmente, como se este fato n\u00e3o\u00a0fosse\u00a0anormal. As mesmas mudan\u00e7as acontecem na voz e na atitude. \u00c0s vezes, \u00e9 mais esperto que o Dr. Frank e \u00e0s vezes, comporta-se de maneira est\u00fapida.<\/li>\n<li><strong>Dr. Frank:<\/strong> \u00e9 o cientista criador do monstro. Mostra alguns tra\u00e7os de auto-sufici\u00eancia exagerados, \u00e9 impaciente com \u00cdgor, \u00e9 um tanto esnobe, j\u00e1 que costuma a agir como se pertencesse a uma classe superior. Normalmente, veste um avental branco (um &#8220;guarda-p\u00f3&#8221;) ou algo que remete \u00e0s\u00a0suas tarefas\u00a0de\u00a0cientista.<\/li>\n<li><strong>O monstro:<\/strong>\u00a0o terceiro personagem, que foi idealizado\u00a0para ser o personagem surpresa, ter\u00e1 parte\u00a0somente no final da pe\u00e7. Durante a apresenta\u00e7\u00e3o, ficar\u00e1 coberto por panos, sendo descoberto durante a aproxima\u00e7\u00e3o\u00a0do final. O monstro pode ser algu\u00e9m conhecido pelo p\u00fablico, como um ator do elenco, ou at\u00e9 mesmo algum espectador volunt\u00e1rio escolhido antes do in\u00edcio da exibi\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a. Este personagem n\u00e3o tem falas, portanto,\u00a0\u00e9 um papel para qualquer convidado, que n\u00e3o seja necessariamente um ator.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O cen\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Pode ser despojado, mas, na minha imagina\u00e7\u00e3o, \u00e9 um laborat\u00f3rio sofisticado, altamente equipado&#8230; imposs\u00edvel de existir no interior e uma casa (como se espera de um laborat\u00f3rio &#8220;alternativo&#8221;, j\u00e1\u00a0que castelos s\u00e3o raros hoje em dia).\u00a0Todos os elementos (mesas de experi\u00eancias, cadeiras com rodas, frascos\u00a0e\u00a0equipamentos eletr\u00f4nicos) podem ser substitu\u00eddos ou retirados totalmente, pois s\u00e3o apenas itens\u00a0para compor a atmosfera t\u00edpica dos filmes do g\u00eanero, usuais da d\u00e9cada de 30, tornando poss\u00edvel o\u00a0acr\u00e9scimo de algumas &#8220;modernidades&#8221; (computador e telefone).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Parte I &#8211; \u00cdgor e o Dr. Frank<\/strong><\/p>\n<p>\u00cdgor est\u00e1 sentado diante do computador, escrevendo.<br \/>\nA porta range e se abre rapidamente. \u00cdgor percebe e fica assustado.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: (pego de surpresa, ele se levanta) Mestre, \u00e9 o senhor?<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank entra.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: Quem mais seria, \u00cdgor? Vamos, saia de perto do computador!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (obedece carrancudo, mas obediente) Sim, mestre.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, v\u00ea aquela pedra? (aponta para uma pedra enorme no canto do palco)<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: V\u00e1 at\u00e9 a pedra, \u00cdgor!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre! (\u00cdgor anda encurvado, como se tivesse um desvio na coluna, arrastando uma perna ao se deslocar)<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, levante esta pedra!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre! (levanta a pedra)<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, abaixe esta pedra!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre! (abaixa a pedra)<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, levante esta pedra!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre! (levanta a pedra outra vez)<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, traga esta pedra at\u00e9 aqui! Traga a pedra!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre! (traz a pedra)<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor fica com a pedra erguida sobre a cabe\u00e7a por um tempo, esperando uma ordem.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, abaixe esta pedra!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre! (abaixa a pedra)<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Quem manda aqui, \u00cdgor?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: \u00c9 o senhor, Doutor Frank!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Quando eu disser para n\u00e3o tocar no computador, lembre-se da pedra!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Quer que eu levante o computador, mestre?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o, \u00cdgor&#8230; n\u00e3o toque no computador, entendeu?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre&#8230; estou confuso. \u00cdgor n\u00e3o entende!<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank pega um guarda-chuva e com ele, bate em \u00cdgor algumas vezes.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: Est\u00e1 entendendo agora, criatura infeliz?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre! Sim, mestre!<\/em><\/p>\n<p>Ambos param o que est\u00e3o fazendo. Ru\u00eddo de mosca voando. \u00cdgor acompanha com os olhos o voo da mosca.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: Mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim, \u00cdgor?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre, \u00cdgor pode atacar a mosca?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Fa\u00e7a isso, \u00cdgor.<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor, que ainda acompanha a mosca com os olhos, come\u00e7a a pular e fazer gestos obscenos para a mosca. Dr. Frank revela\u00a0um olhar reprovador.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: (fala enquanto faz ajustes em alguns aparelhos e troca de frascos algumas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas) Diante dos olhos desta criatura imbecil, a maior experi\u00eancia m\u00e9dica de todos os tempos ser\u00e1 realizada&#8230; em breve! Finalmente o homem poder\u00e1 se libertar para sempre da sombra da morte!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (p\u00e1ra o que est\u00e1 fazendo) Morte?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Finalmente, a partir de tecidos mortos, chegaremos \u00e0 vida!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (passa a m\u00e3o em suas partes \u00edntimas e concorda com a cabe\u00e7a) Vida&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o haver\u00e1 mais mortes&#8230; a morte ser\u00e1 apenas uma lembran\u00e7a depois que eu introduzir um corpo morto \u00e0 vida!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (repete o gesto obsceno novamente) Vida&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Ainda hoje, daremos vida aos mortos!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (repete o gesto mais uma\u00a0vez) Vida&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor v\u00ea a mosca e novamente vai atr\u00e1s dela. Ru\u00eddo de mosca voando.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: Mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim, \u00cdgor?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre! Posso esmagar uma mosca?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim, \u00cdgor. (sem se desconcentrar da experi\u00eancia que observa) Mas n\u00e3o me atrapalhe. Este experimento \u00e9 importante.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Obrigado, mestre! (vira-se para a plat\u00e9ia e fala sobre o Dr. Frank) Ele \u00e9 t\u00e3o bom para mim!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor tenta alcan\u00e7ar a mosca e n\u00e3o consegue. Depois de um momento, d\u00e1 um tapa certeiro que derruba o inseto ao ch\u00e3o.<br \/>\n\u00cdgor aproxima-se e engole a mosca.<br \/>\nRu\u00eddo de mosca voando. \u00cdgor v\u00ea uma outra mosca e vai atr\u00e1s dela.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: Mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: O que foi, desnaturado? N\u00e3o v\u00ea que estou concentrado?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (olha Dr. Frank\u00a0 de um modo estranho e espera um tempo antes de falar) Posso esmagar outra mosca?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Pode esmagar o que quiser\u00a0contanto que\u00a0n\u00e3o me atrapalhe!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (p\u00e1ra alguns segundos, perplexo) \u00cdgor pode esmagar qualquer coisa?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Esmague o que quiser, mas deixe-me em paz!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (tem um brilho maldoso no olhar. Vai at\u00e9 uma jaula e pega um pequeno animal que est\u00e1 l\u00e1 &#8211; um cachorro, gato, macaco ou outro qualquer. Sai p\u00e9 ante p\u00e9) Obrigado, mestre!<\/em><\/p>\n<p>Enquanto est\u00e1 fora de cena, ru\u00eddos de luta s\u00e3o ouvidos, mas Dr. Frank continua suas experi\u00eancias. \u00c1s vezes p\u00e1ra, como se o ru\u00eddo atrapalhasse sua concentra\u00e7\u00e3o. \u00cdgor volta ajeitando as roupas, que podem estar sujas de sangue, por exemplo.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: \u00cdgor, onde est\u00e1 o animal que estava na jaula?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Que animal, mestre?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Ah, esque\u00e7a. O jantar j\u00e1 est\u00e1 pronto?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (tem um olhar maldoso e um sorriso sarc\u00e1stico) Estou preparando, Mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Vou sair e volto logo. N\u00e3o toque em nada enquanto eu estiver fora!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre!<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank dirige-se at\u00e9 a porta par sair.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: Mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim, \u00cdgor? O que foi, desta vez?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sabe aquele arm\u00e1rio cheio de vidros, que tenho de limpar com todo cuidado?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Hoje, pela manh\u00e3, eu estava o limpando com todo cuidado, como o senhor ordenou&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (apreensivo) Sim&#8230; continue!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Tomei o maior cuidado para n\u00e3o chegar perto dos frascos com experi\u00eancias, pois sabia que qualquer descuido poderia destruir anos de trabalho!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Muito bem, \u00cdgor.<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank aproxima-se da porta para partir.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: Tomei muito, muito, muito cuidado!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (volta e segura \u00cdgor violentamente) Aconteceu alguma coisa?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Est\u00e1 bem \u00cdgor. Deixe-me ir.<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank aproxima-se outra vez da porta, para partir.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: Sabe aquela cuba delicad\u00edssima de cristal, na qual o senhor trabalha sempre?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (volta e segura \u00cdgor pela garganta) Fale logo, anormal!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o quebrou, mestre!<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank larga \u00cdgor e sai. Assim que Dr. Frank sai, \u00cdgor fala de maneira mais&#8230;\u00a0&#8220;normal&#8221;.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: (endireitando as costas) O que a gente n\u00e3o faz por um emprego?! Tenho de aguentar cada coisa&#8230; trabalho 24 horas por dia e n\u00e3o me pagam nem hora extra&#8230; espere o sindicato dos corcundas saber disso!<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank volta.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: Esqueci meu guarda-chuva. Est\u00e1 chovendo l\u00e1 fora.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: O\u00a0site do tempo disse que haveria tempestades \u00e0 noite, mas me parece que eles sempre erram, mestre.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (pega o guarda-chuva, vai em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta\u00a0e p\u00e1ra) O que aconteceu com sua voz?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Voz?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Voc\u00ea parece mais alto, \u00cdgor!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (pensando em alguma desculpa) \u00c9 que eu bebi isso! (pega um frasco e bebe, ficando mais encurvado e falando de um jeito arrastado) \u00cdgor bebeu! (pega outro frasco e bebe, ficando menos encurvado e falando de um modo menos arrastado) Ou isso! (bebe do primeiro frasco e repete a cena) \u00cdgor bebeu! (bebe o segundo frasco) Ou isso!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Ah, esque\u00e7a!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: \u00cdgor&#8230; esqueceu!<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank vai at\u00e9 a porta por um instante e volta com passos firmes.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: \u00cdgor, onde est\u00e1 o material que eu deixei sobre a mesa?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Qual mesa, mestre?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: A minha mesa! E n\u00e3o me chame de mestre. Estamos no s\u00e9culo XXI!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o existem mestres no s\u00e9culo XXI, mestre?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o me chame de mestre, \u00cdgor.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Ent\u00e3o n\u00e3o me chame de \u00cdgor, mestre.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Comporte-se como um empregado \u00fatil, \u00cdgor!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mas&#8230; o disc\u00edpulo segue o mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, Dr. Frank?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Fa\u00e7a-me um favor&#8230; beba alguma dessas\u00a0subst\u00e2ncias e volte a ser como era, certo?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (bebe algo de um frasco e volta a fazer a voz arrastada outra vez, &#8220;encurvando-se&#8221;) Sim, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Agora me diga&#8230; Onde est\u00e1 o material?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Que material, mestre&#8230; Doutor?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: O que estava\u00a0em cima de minha mesa&#8230; voc\u00ea pegou?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Um envelope? Cheio de dinheiro?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Voc\u00ea olhou dentro?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o, mestre&#8230; digo&#8230; Dr. Frank!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Ent\u00e3o me explique..\u00a0como\u00a0voc\u00ea\u00a0sabia o que tinha dentro?!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre&#8230; acredita em sexto sentido?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o! Sou um homem da ci\u00eancia!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (fala baixinho) Ah&#8230; droga!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, voc\u00ea n\u00e3o tem medo que eu contrate outro ajudante?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o, mestre! Se tivesse outro ajudante eu n\u00e3o precisaria trabalhar tanto!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Outro ajudante para substituir voc\u00ea, pequeno animal!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre&#8230; por que fala por par\u00e1bolas?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Aqui, um empregado tem a vida dos sonhos de qualquer auxiliar: casa, comida, um sal\u00e1rio\u00a0digno&#8230;<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (come\u00e7a a rir &#8211; mas tenta esconder o riso) Sim, doutor!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: &#8230;e a honra de trabalhar perto de um grande homem!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, doutor! (n\u00e3o consegue segurar por muito tempo a risada e come\u00e7a a rir cada vez mais alto) Deus! Como sou feliz! (ri at\u00e9 rolar pelo ch\u00e3o)<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Idiota!<\/em><\/p>\n<p>Um barulho de explos\u00e3o e um pouco de fuma\u00e7a entrando por uma fresta fazem \u00cdgor se levantar r\u00e1pido.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: O gerador!<\/em><\/p>\n<p>Ambos saem. Come\u00e7am as vozes fora de cena.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><em>Dr. Frank: O que voc\u00ea fez dessa vez, idiota?<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\"><em> \u00cdgor: Nada, mestre!<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\"><em> Dr. Frank: O que voc\u00ea usou na refrigera\u00e7\u00e3o do gerador?<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\"><em> \u00cdgor: refrigerador?<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\"><em> Dr. Frank: Colocou \u00e1gua, como ordenei?<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"text-decoration: underline;\"><em> \u00cdgor: Melhor do que isso mestre! Usei os conhecimentos de qu\u00edmica que eu aprendi com o senhor: para criar \u00e1gua, coloquei uma mistura de 2 partes de hidrog\u00eanio e uma parte de oxig\u00eanio&#8230; estavam em estado l\u00edquido, para ficar bem geladinho!<\/em><\/span><\/p>\n<p>Ru\u00eddos de luta. Dr. Frank volta \u00e0 cena.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: (balan\u00e7ando a cabe\u00e7a) Ele explodiu meu gerador! Preciso encontrar um meio de consertar o gerador para a experi\u00eancia de hoje \u00e0 noite! (pega um guia telef\u00f4nico e procura por um nome. Pega o telefone) Al\u00f4? \u00c9 da assist\u00eancia t\u00e9cnica Volts-Watts? Sim&#8230; Al\u00f4&#8230; voc\u00eas consertam geradores? Sim&#8230; o tipo? Bom&#8230; modelo &#8220;Volts-Watts 7P&#8221;, bobina queimada. Tr\u00eas dias? \u00c9 muito! Quanto? (desliga)<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor volta andando com o aux\u00edlio de duas muletas.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: (desafiador, por\u00e9m fala baixo) Nem doeu!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sabe quanto vai custar o conserto, \u00cdgor?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o, mestre&#8230; Mas se eu recebesse um aumento, poderia pagar em menos tempo!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (pega um guia telef\u00f4nico e procura por um nome. Pega o telefone)\u00a0Al\u00f4? \u00c9 do necrot\u00e9rio? A Sra. Walker est\u00e1? Al\u00f4&#8230; \u00c9 o Dr. Frank&#8230; conseguiu um corpo como combinamos? Ainda n\u00e3o? Droga, para que eu estou te pagando afinal? N\u00e3o tem nenhum corpo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o? Eu sei que n\u00e3o \u00e9 &#8220;tele-entrega&#8221;! Na &#8220;tele-entrega&#8221; eu telefono e eles aparecem com o pedido&#8230; n\u00e3o ficam enrolando. Lembre-se, Walker, basta um telefonema meu e seu emprego deixar\u00e1 de existir! (desliga)<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Os empregados s\u00e3o todos incompetentes hoje em dia, n\u00e3o \u00e9, doutor?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (olha firme para \u00cdgor) Por causa de certas pessoas, a ci\u00eancia est\u00e1 regredindo ao inv\u00e9s de avan\u00e7ar.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o se culpe pelos fracassos, mestre! Eu tamb\u00e9m tenho meus dias ruins uma vez ou outra!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Voc\u00ea n\u00e3o vale o sal que come, \u00cdgor.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Obrigado mestre! (tentando ser simp\u00e1tico) Mas se eu recebesse um aumento, mestre, poderia trabalhar ainda melhor!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o se engane, \u00cdgor. N\u00e3o se pode tirar leite de uma pedra!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: &#8220;Mais vale um p\u00e1ssaro na m\u00e3o do que dois voando&#8221;!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Do que voc\u00ea est\u00e1 falando?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o sei, foi o senhor quem come\u00e7ou!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Minha pr\u00f3xima experi\u00eancia ser\u00e1 consertar c\u00e9rebros danificados!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (parece olhar de longe a cabe\u00e7a do Dr. Frank) Mas o senhor n\u00e3o tem nada de errado! (pensa um segundo) Apesar da sua idade!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (resmungando) Quieto, est\u00fapido, deixe-me pensar.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (falando sozinho) \u00d3timo, fa\u00e7a isso enquanto eu arrumo tudo por aqui&#8230; algu\u00e9m aqui precisa trabalhar um pouco! Sempre eu que fa\u00e7o tudo mesmo!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (resmungando, aperta alguns bot\u00f5es e faz experi\u00eancias) Eletricidade&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor caminha pelo palco com suas muletas, procurando algo. Depois p\u00e1ra, como se tivesse surgido\u00a0uma ideia.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: Mestre! Eu posso solucionar o problema do gerador!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Voc\u00ea entende de motores?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Que pergunta!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (irritado, fala sozinho) N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! No momento em que quase tudo deveria estar pronto para a maior experi\u00eancia m\u00e9dica de todos os tempos, tudo parece ruir! O que mais o universo vai colocar no meu caminho? Por que os deuses conspiram contra mim? Por acaso sentem-se amea\u00e7ados diante da grandeza deste momento para a humanidade?<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank sai.<br \/>\n\u00cdgor v\u00ea que est\u00e1 sozinho e joga longe as muletas, dando alguns passos e cambaleando um pouco.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: (olhando para cima e erguendo os bra\u00e7os) Milagre! Milagre!<\/em><\/p>\n<p>Um rel\u00e2mpago, seguido por um\u00a0trov\u00e3o, terminam a cena. Tudo fica \u00e0s escuras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Parte II &#8211; A Noiva do Dr. Frank<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1 relampejando esporadicamente. \u00cdgor acende v\u00e1rias velas em casti\u00e7ais. A ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00ednima. \u00cdgor senta diante do computador e tecla, enquanto fala em voz alta o que est\u00e1 escrevendo.<\/p>\n<p>\u00cd<em>gor: Ele me obriga a fazer as piores coisas&#8230; Ontem, eu disse que havia bebido \u00e1cido e ele nem ligou! Acho que ele n\u00e3o me ama mais! Eu disse para ele que estava com uma dor-de-cabe\u00e7a t\u00e3o grande, que tive de tomar \u00e1cido, e ele me interrompeu e perguntou: (imita Dr. Frank) &#8220;\u00c1cido? Que \u00e1cido!?&#8221; Respondi: &#8220;\u00e1cido acetilsalic\u00edlico, mestre!&#8221; E ele virou as costas para mim&#8230; e me desprezou&#8230; Ah, o que eu tenho de suportar! Ele n\u00e3o passa de um insens\u00edvel incompetente, um reles&#8230;<\/em><\/p>\n<p>A porta range e se abre. \u00cdgor percebe e fica assustado.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: &#8230;e maravilhoso e um bondoso ser humano, capaz de grandes proezas cient\u00edficas&#8230; (a porta fecha e \u00cdgor continua as frases anteriores) &#8230;capaz de envergonhar at\u00e9 a minha m\u00e3e. E olha que para envergonhar a minha m\u00e3e, tem que ser bem pior do que&#8230; (pensa um pouco) o meu pai!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor p\u00e1ra de usar o computador e vai at\u00e9 \u00e0 porta, para ver se o Dr. Frank n\u00e3o est\u00e1 o espiando. Desta vez, \u00cdgor est\u00e1 usando um cajado como apoio. De s\u00fabito, abre a porta, imaginando surpreender Dr. Frank.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: Ah\u00e1! (v\u00ea que n\u00e3o tem ningu\u00e9m. Espera um tempo e grita para dentro da porta, desdenhando) Eu sabia que n\u00e3o tinha ningu\u00e9m a\u00ed!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor fecha a porta e, novamente, tenta surpreender Dr. Frank.<\/p>\n<p><em> \u00cdgor: (abre a porta) Ah\u00e1! (v\u00ea que n\u00e3o tem ningu\u00e9m e fecha a porta)<\/em><\/p>\n<p>O gesto se repete algumas vezes.<br \/>\nDr. Frank entra pelo outro lado do palco e surpreende \u00cdgor.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: Voc\u00ea est\u00e1 bem, \u00cdgor?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (meio desconcertado, sem saber como Dr. Frank apareceu atr\u00e1s dele, \u00cdgor olha para o Dr. Frank, olha para a porta e volta a olhar para o Dr. Frank) Esta porta est\u00e1 com problemas, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (olhando as velas) Faltou luz?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (examinando o Dr. Frank com cuidado) O senhor \u00e9 t\u00e3o inteligente, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Se faltou luz, como \u00e9 que o computador est\u00e1 ligado?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (fazendo for\u00e7a para pensar) Bom&#8230; talvez&#8230; Internet?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o diga asneiras.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Espere, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (se concentra, ergue o bra\u00e7o com o cajado e diz solenemente) Fiat Lux!<\/em><\/p>\n<p>Algumas luzes se acendem.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: Mas&#8230; como?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (se concentra novamente e ergue outro bra\u00e7o) Mehr licht!<\/em><\/p>\n<p>Outras luzes se acendem.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: (misterioso) H\u00e1 mais mist\u00e9rios entre o c\u00e9u e a terra do que sonha nossa v\u00e3 filosofia!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Shakespeare?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o, obrigado.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Como voc\u00ea \u00e9 capaz de trazer a luz e n\u00e3o consegue fazer o trabalho de assistente?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (mostra algo que tinha no bolso) Controle remoto!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Nossas experi\u00eancias podem prosseguir? Teremos o gerador funcionando para hoje?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (cantando e dan\u00e7ando) Energia! Energia! Energia!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Estaremos prontos hoje \u00e0 noite?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre! Pode deixar tudo sob meus cuidados!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (sem prestar muita aten\u00e7\u00e3o no que \u00cdgor faz) \u00cdgor, preparou minhas f\u00f3rmulas para hoje?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (p\u00e1ra, assustado) F\u00f3rmulas? Quais f\u00f3rmulas, mestre?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o me chame de mestre, \u00cdgor.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, &#8220;doutorzinho&#8221;&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: O qu\u00ea!?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, Dr. Frank.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Preparou minhas f\u00f3rmulas?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Quais f\u00f3rmulas, doutor?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Voc\u00ea deve saber: as f\u00f3rmulas que eu venho pedindo h\u00e1 v\u00e1rias semanas, todos os dias, a cada 20 minutos!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (tentando lembrar) Ah, essas f\u00f3rmulas&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Preparou?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: A vermelha ou a azul?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Qualquer uma! Preparou&#8230; a azul?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: A azul? N\u00e3o! A azul n\u00e3o preparei, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (irritado) Preparou a outra f\u00f3rmula?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: A vermelha ou a azul, doutor?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (perdendo a paci\u00eancia) A vermelha, claro! Preparou ou n\u00e3o preparou?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: A vermelha, claro (frisa a palavra claro)&#8230; n\u00e3o preparei&#8230; ainda, doutor! Mas falta pouco.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Falta pouco? Como falta pouco? Ontem voc\u00ea me disse que faltava pouco!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Ontem faltava pouco, doutor.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: E agora, o que falta?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Falta pouco&#8230; mas menos pouco do que o pouco de ontem!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Quando estar\u00e1 pronta?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Em breve! Seja paciente! Tenha f\u00e9!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: O qu\u00ea?!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (fazendo-se de inocente) Desculpe, mestre&#8230; me empolguei!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o me interessa, insolente! Quero as f\u00f3rmulas prontas imediatamente!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Imediatamente quando?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Imediatamente agora!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Ah! Foi o que imaginei!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: O que est\u00e1 esperando?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (gesticula) Abracadabra!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor retira um pano que cobria v\u00e1rios frascos, cheio de l\u00edquidos coloridos.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: \u00cdgor! H\u00e1 quanto tempo as f\u00f3rmulas est\u00e3o prontas?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: H\u00e1 muito tempo, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: J\u00e1 estavam prontas ontem?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o, mestre! H\u00e1 mais tempo!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: 2 dias?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mais tempo!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: 3 dias?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mais tempo!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: uma semana?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor (fazendo voz de programa): Muito bem&#8230; absolutamente certo!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (fazendo de conta que n\u00e3o ouviu a provoca\u00e7\u00e3o) Por que n\u00e3o me disse, para que eu pudesse come\u00e7ar minha nova experi\u00eancia?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: A nova experi\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>A campainha toca.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: Depressa! V\u00e1 l\u00e1 em cima e atenda a porta!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Preciso me vestir. N\u00e3o posso atender a porta vestido desse jeito!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Ent\u00e3o v\u00e1, r\u00e1pido!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor anda um passo e p\u00e1ra. Anda mais um passo e olha para o Dr. Frank.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: Mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (impaciente) Sim, \u00cdgor?!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Devo dizer que n\u00e3o estamos?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim, \u00cdgor.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00f3s dois?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (ir\u00f4nico) N\u00e3o, idiota, diga que s\u00f3 voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre&#8230; (fica pensativo) Acha que se eu disser que eu n\u00e3o estou, eles v\u00e3o acreditar?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (nervoso) Idiota! V\u00e1 logo!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor anda um passo e p\u00e1ra. Anda mais um passo e olha para o Dr. Frank.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: Ande!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (demonstra estar tentando ouvir) A campainha parou de tocar!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00d3timo, vamos voltar \u00e0s experi\u00eancias.<\/em><\/p>\n<p>A campainha toca outra vez, dessa vez com insist\u00eancia. \u00cdgor fica parado, esperando a ordem do Dr. Frank.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: R\u00e1pido, o que est\u00e1 esperando?! V\u00e1 l\u00e1 em cima e atenda a porta!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Preciso me vestir. N\u00e3o posso atender a porta vestido desse jeito!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (olha para a plat\u00e9ia) Acho que j\u00e1 vi isso antes (volta o olhar para \u00cdgor). N\u00e3o pode ir mais r\u00e1pido?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Posso, claro!<\/em><\/p>\n<p>A campainha toca e \u00cdgor cai no ch\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: Ai! (fala como se estivesse com dores) Meu bra\u00e7o!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (corre para ajudar) Machucou o bra\u00e7o?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (falando normalmente) N\u00e3o. Por qu\u00ea?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (ergue \u00cdgor) Imbecil! V\u00e1 logo, o que est\u00e1\u00a0esperando?!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Meu cajado, onde&#8230; onde est\u00e1 meu cajado?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: No meio de suas pernas!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor lan\u00e7a um olhar malicioso para o doutor Frank.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: (olha o cajado e examina-o) \u00c9 mesmo&#8230;<\/em><\/p>\n<p>A campainha toca v\u00e1rias vezes.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: \u00cdgor&#8230;<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Acho que voc\u00ea n\u00e3o vai atender a porta, vai?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Acho que n\u00e3o&#8230; Mas voc\u00ea pode ir, se quiser.<\/em><\/p>\n<p>O Dr. Frank sai irritado.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: Puxa, que sujeito mais impaciente!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor prepara o laborat\u00f3rio. Ele pega o cajado e enrosca em sua ponta um peda\u00e7o de vassoura.\u00a0Come\u00e7a a varrer.<br \/>\nDr. Frank volta.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: Havia me esquecido da encomenda! Finalmente! Agora minhas experi\u00eancias ter\u00e3o \u00eaxito! A subst\u00e2ncia que faltava!\u00a0Vieram me entregar a encomenda que comprei pela Internet&#8230; finalmente, aqui, nas minhas m\u00e3os! Isso merece uma comemora\u00e7\u00e3o! \u00cdgor, champanhe!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Champanhe, mestre? N\u00e3o posso ir buscar. N\u00e3o estou vestido apropriadamente!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, n\u00e3o quer beber champanhe comigo?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Ah, \u00e9 para n\u00f3s dois? (vira-se e retira a t\u00fanica. \u00cdgor est\u00e1 vestido com\u00a0terno e gravata por baixo. A seguir, retira o pano que cobre um balde de gelo com uma champanhe e duas ta\u00e7as, pegando uma para si e outra para o Dr. Frank) Pronto, Dr. Frank!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, voc\u00ea estava vestido o tempo todo?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sa\u00fade!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Agora eu s\u00f3 preciso de mais uma coisa para finalizar a experi\u00eancia que mudar\u00e1 o rumo da hist\u00f3ria! Hoje ser\u00e1 o\u00a0dia em que a morte deixar\u00e1 de ser a barreira que separa as pessoas que se amam!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sa\u00fade!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Depois dessa experi\u00eancia, \u00cdgor, seremos as pessoas mais importantes do mundo!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sa\u00fade!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sa\u00fade, \u00cdgor!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sa\u00fade!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: S\u00f3 preciso de um corpo para provar que a morte n\u00e3o precisa existir!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (olha para si mesmo e rebola um pouco) Um corpo como o meu, mestre?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o, \u00cdgor&#8230; preciso de um morto fresco!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Ah, eu ainda estou vivo. Ent\u00e3o n\u00e3o sirvo!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: L\u00f3gico que n\u00e3o, idiota! Mas esta noite iremos ao cemit\u00e9rio!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre&#8230; digo&#8230; Dr. Frank&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim, \u00cdgor?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: O senhor estudou tanto&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim, verdade&#8230; foram mais de 20 anos!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (como se estivesse fazendo uma pergunta muito esperta) Como \u00e9 poss\u00edvel saber se um defunto \u00e9 um morto fresco?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (pensa um pouco) Hmmm&#8230; pela data no t\u00famulo, claro.<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Oh, puxa&#8230;\u00a0 e precisou estudar 20 anos para saber isso?<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank finge que n\u00e3o ouviu e se afasta um pouco.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: \u00cdgor, apesar de achar que, contando apenas com sua ajuda, eu jamais conseguiria terminar meus experimentos, estamos muito pr\u00f3ximos! E nada, nada vai me impedir de obter sucesso a partir de agora, entendeu? (olha de um jeito amea\u00e7ador) Nem que eu mesmo tenha de arranjar um morto fresco!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, meu senhor&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (com orgulho) Nada mais ir\u00e1 me atrapalhar agora&#8230;<\/em><\/p>\n<p>A campainha toca.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: Oh, o que mais pode acontecer? \u00cdgor, voc\u00ea est\u00e1 vestido?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (olha Dr. Frank de um jeito esquisito) Sim, meu mestre&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: V\u00e1 ver quem est\u00e1 \u00e0 porta! Quem poder\u00e1 ser, numa noite tenebrosa como essa?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre&#8230;<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor sai. Momentos de expectativa.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: (repetindo algo que j\u00e1 disse antes)\u00a0N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! No momento em que quase tudo deveria estar pronto para a maior experi\u00eancia m\u00e9dica de todos os tempos, tudo parece ruir! O que mais o universo vai colocar no meu caminho? Por que os deuses conspiram contra mim? Por acaso sentem-se amea\u00e7ados diante da grandeza deste momento para a humanidade?<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor demora algum tempo antes de voltar.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: Sua noiva chegou, mestre! (abra\u00e7a Dr. Frank, como se estivesse cumprimentando um noivo)<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (afastando \u00cdgor) Minha noiva? Que noiva?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sua noiva&#8230; Marcelina Tereza! Ela disse que veio lhe fazer uma surpresa!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (desesperado) Marcelina? Aqui?! E agora? O que eu fa\u00e7o?!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: \u00c9 a sua noiva&#8230; convide-a para entrar!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (curioso) E como ela \u00e9?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Como ela \u00e9?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim&#8230; \u00e9 bonita?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Bonita?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Ela parece com quem?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o conhece a pr\u00f3pria noiva?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Bom&#8230; eu a conheci pela Internet, mas nunca a vi!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Oh! Puxa!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Namoramos, noivamos e&#8230; nunca pensei&#8230; Mas como ela \u00e9?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Bom&#8230; Deveria ter pedido a foto antes!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Ai&#8230;<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o vai conhec\u00ea-la?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o posso me preocupar com ela. Temos coisas mais importantes a fazer esta noite! Diga que estou doente! Melhor: diga que fui a uma\u00a0cigana, que\u00a0me disse coisas que fizeram-me mudar de ideia!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mas, mestre&#8230; (passa o bra\u00e7o ao redor da cintura do Dr. Frank, tentando exibir intimidade) Acha que ela vai acreditar numa asneira dessas?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o me interessa. V\u00e1 l\u00e1 e diga qualquer coisa&#8230; livre-se dela!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Livrar-se dela? (sorriso malicioso) Sim, mestre!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor sai. Os rel\u00e2mpagos aumentam. Dr. Frank est\u00e1 impaciente. \u00cdgor demora bastante tempo antes de voltar.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: (mais uma vez, repete uma mesma frase)\u00a0N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! No momento em que quase tudo deveria estar pronto para a maior experi\u00eancia m\u00e9dica de todos os tempos, tudo parece ruir! O que mais o universo vai colocar no meu caminho? Por que os deuses conspiram contra mim? Por acaso sentem-se amea\u00e7ados diante da grandeza deste momento para a humanidade?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (entrando no final da frase) Mestre&#8230; O senhor j\u00e1 n\u00e3o disse isso hoje?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Conseguiu se livrar dela?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre,\u00a0estou muito confuso&#8230; Mostrar o meu &#8220;Frankenstein&#8221; surgindo dos mortos, para a noiva do meu patr\u00e3o, n\u00e3o deveria ser algo assustador?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o seja insolente! Nem voc\u00ea teria coragem de fazer isso na frente dela!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: E se eu dissesse que n\u00e3o foi na frente, mestre? (faz um sorriso malicioso)<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Eu disse para se livrar dela e n\u00e3o para aterrorizar a pobre coitada! Ela deve ter fugido para chamar a pol\u00edcia&#8230; ela era uma mo\u00e7a inocente!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre&#8230; Posso fazer uma pergunta \u00edntima?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Pergunta \u00edntima? Qual pergunta \u00edntima?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mestre&#8230; O que o senhor acha de sexo no primeiro encontro?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o fale nada sobre bestialidade ou sobre seu comportamento anormal para mim. H\u00e1 coisas t\u00e3o medonhas que n\u00e3o temos nem o direito de falar!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: E fazer, mestre? Eu nunca tinha feito amor com uma mulher.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: n\u00e3o quero ouvir isso!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o vai ouvir nada! J\u00e1 faz algum tempo que paramos!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o quero ouvir isso! N\u00e3o fale mais nada!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (falando para a plat\u00e9ia de maneira rom\u00e2ntica) Tive de me passar pelo Dr. Frank. Ela tamb\u00e9m n\u00e3o tinha a foto dele&#8230; foi \u00f3timo! Nunca pensei que o amor fosse t\u00e3o lindo! Foi a primeira vez que fiz amor com algu\u00e9m que n\u00e3o latia, nem cacarejava! (falando para o Dr. Frank) Mestre, \u00e9 normal sexo anal no primeiro encontro depois\u00a0da\u00a0Internet?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (sentindo nojo) O que voc\u00ea fez com a mo\u00e7a, seu animal nojento?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: O que eu fiz com a mo\u00e7a?! Precisa ver o que a mo\u00e7a fez comigo!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Ah! Cale a boca! N\u00e3o quero mais ouvir! N\u00e3o me diga o que fez com ela!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Ela? N\u00e3o sei se podemos chamar ela de&#8230; &#8220;ela&#8221;.<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Por qu\u00ea? N\u00e3o me diga que&#8230; ela&#8230; Ela n\u00e3o era uma mulher?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (de modo solene) O que eu fiz com ela, e ela fez comigo, n\u00e3o d\u00e1 para dizer que seja o que um homem e uma mulher costumam fazer!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (furioso) Como ousou fazer todas essas anormalidades com ela? N\u00e3o se preocupou no que ela iria pensar?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (tentando acalmar o Dr. Frank) Ah, n\u00e3o se preocupe, mestre&#8230; quando eu fiz isso com ela, a mo\u00e7a\u00a0j\u00e1 estava morta!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (desesperado) Morta? Voc\u00ea a matou?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mas&#8230; o senhor mesmo me\u00a0mandou se livrar dela!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (muito desesperado) Voc\u00ea a matou! E agora?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Ora, mestre! Quem vai a um encontro marcado pela Internet j\u00e1 espera que coisas assim aconte\u00e7am! Noivar com um desconhecido, procurar ele num lugar distante&#8230; Ela j\u00e1 devia estar esperando por isso!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sil\u00eancio! O que faremos agora?! Tudo est\u00e1 perdido, seu monstro!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Mas, afinal, qual \u00e9 o problema, mestre? O senhor tem a capacidade de traz\u00ea-la de volta \u00e0 vida!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sil\u00eancio! Preciso pensar em como sair desse pesadelo!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Eu j\u00e1 preparei tudo, mestre! N\u00e3o se preocupe! Poder\u00e1\u00a0ressuscit\u00e1-la. Assim n\u00e3o precisaremos ir ao cemit\u00e9rio atr\u00e1s de um corpo fresco! J\u00e1 temos um corpo bem fresco, aqui mesmo! Est\u00e1 tudo pronto, veja!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor corre at\u00e9 uma das entradas e traz para o centro do palco uma cadeira com o monstro, coberto por um len\u00e7ol. Liga diversos fios \u00e0 cadeira.<\/p>\n<p><em> Dr. Frank: Mas como poderemos traz\u00ea-la de volta \u00e0 vida, se o gerador de mega voltagens foi destru\u00eddo?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Eu disse que daria um jeito, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: E o que voc\u00ea poderia fazer, al\u00e9m de me atrapalhar ainda mais, monstro nojento?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Simples, mestre&#8230; A meteorologia previu tempestades el\u00e9tricas para esta noite. Dentro de algumas horas teremos muita eletricidade! Ent\u00e3o, liguei a sa\u00edda do mega-gerador no p\u00e1ra-raios!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sim! \u00c9 uma boa ideia! Poder\u00e1 funcionar! Ser\u00e1 nossa \u00fanica chance! Se funcionar, o mundo conhecer\u00e1 hoje uma nova era! A cria\u00e7\u00e3o da vida a partir de restos mortais!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: A noiva do Dr. Frank!<\/em><\/p>\n<p>V\u00e1rios rel\u00e2mpagos, seguidos de trov\u00f5es, interrompem a cena, com \u00cdgor e Dr. Frank olhando para eles. Outros rel\u00e2mpagos e trov\u00f5es terminam a cena. Tudo fica \u00e0s escuras novamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Parte III &#8211; O Monstro do Dr. Frank<\/strong><\/p>\n<p>Rel\u00e2mpagos e trov\u00f5es fazem parte da cena por todo o tempo, desta vez. Dr. Frank levanta o len\u00e7ol, sem descobrir totalmente o cad\u00e1ver. Ele analisa\u00a0cada peda\u00e7o. Ao examinar as partes \u00edntimas do cad\u00e1ver (o &#8220;monstro&#8221;), nota que algo est\u00e1 faltando.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: (r\u00edspido) \u00cdgor! Venha c\u00e1!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor entra cabisbaixo e devagar.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: \u00cdgor! Voc\u00ea violou o meu corpo!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Quem me dera, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor! Voc\u00ea mexeu no meu monstro!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o, mestre! N\u00e3o mexi no seu &#8220;Frankenstein&#8221;!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Idiota depravado! Onde \u00e9 que est\u00e1? (levanta o len\u00e7ol e aponta para a parte que est\u00e1 faltando no corpo do monstro)<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o peguei! (espera um segundo) Apesar da minha cara!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Pegou sim! Devolva j\u00e1, seu depravado! Eu j\u00e1 falei mil vezes, desde que voc\u00ea arranjou o corpo, que n\u00e3o deve pegar a vara do monstro!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o fui eu, mestre! Eu juro! (pensa um momento) Deve ter sido o gato!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Nunca tivemos nenhum gato aqui!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Puxa&#8230; (fala para si mesmo) Ent\u00e3o\u00a0o\u00a0que \u00e9 que n\u00f3s jantamos todos esses meses?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o minta, vamos, fale logo! Diga onde voc\u00ea o enfiou!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: N\u00e3o enfiei, mestre! Juro que n\u00e3o enfiei!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Est\u00e1 bem&#8230; apenas devolva! (tenta pegar algo no bolso de \u00cdgor) O que \u00e9 isso no seu bolso?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (d\u00e1 um pulo, se desvencilhando do Dr. Frank. Corre para o outro lado do corpo) N\u00e3o \u00e9 nada! N\u00e3o dou! \u00c9 meu!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: D\u00ea logo, r\u00e9ptil imundo! (tenta correr atr\u00e1s de \u00cdgor, mas n\u00e3o o alcan\u00e7a. Acaba desistindo). Est\u00e1 bem! (sarc\u00e1stico) Fique com ele! Os cientistas do mundo todo v\u00e3o ter de se contentar com a maior descoberta de todos os tempos faltando um peda\u00e7o. Um morto vai voltar \u00e0 vida e n\u00e3o vai ter nada para se divertir, porque voc\u00ea roubou o &#8220;monstrinho&#8221; dele! Vai ser culpa sua&#8230; v\u00e3o rir de voc\u00ea!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (sem prestar aten\u00e7\u00e3o nas palavras do Dr. Frank, balan\u00e7a a cabe\u00e7a de um lado para o outro, como se ouvisse m\u00fasica) \u00cdgor tem dois! \u00cdgor tem dois! (faz gestos obscenos, como se estivesse se masturbando com as duas m\u00e3os)<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Se eu soubesse que ia ser assim, teria dado um jeito de arranjar um corpo de mulher. Da pr\u00f3xima vez, ser\u00e1 um corpo de uma mulher&#8230;<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (indo at\u00e9 o Dr. Frank, puxa a manga do avental do doutor) Duas!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Duas mulheres? Para que duas mulheres, desmiolado?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (descansa a cabe\u00e7a no ombro do Dr. Frank) \u00cdgor tem dois&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (empurra \u00cdgor para longe com um dos bra\u00e7os) Chega&#8230; V\u00e1 ver o meu banho!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Oba! Que bom, que bom! \u00cdgor vai ver o banho do mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Sil\u00eancio, idiota! V\u00e1 preparar o meu banho! E nem pense em ficar espiando!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: (decepcionado) Ah, mestre&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (amea\u00e7a um bofet\u00e3o com um bra\u00e7o) V\u00e1 logo!<\/em><\/p>\n<p>A campainha toca. Os dois param.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: A campainha!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: \u00cdgor, tem algu\u00e9m l\u00e1 em cima de novo!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Quantas noivas o senhor tem?<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: N\u00e3o fale bobagens! V\u00e1 l\u00e1 e livre-se&#8230; quero dizer&#8230; v\u00e1 l\u00e1 e mande a pessoa embora, seja quem for!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre!<\/em><\/p>\n<p>\u00cdgor sai.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank:\u00a0(novamente, repete a\u00a0mesma frase de atos anteriores)\u00a0N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel! No momento em que quase tudo deveria estar pronto para a maior experi\u00eancia m\u00e9dica de todos os tempos, tudo parece ruir! O que mais o universo vai colocar no meu caminho? Por que os deuses conspiram contra mim? Por acaso sentem-se amea\u00e7ados diante da grandeza deste momento para a humanidade?<\/em><br \/>\n<em>\u00cdgor: (voltando, mostra inten\u00e7\u00e3o de dizer algo) Isso j\u00e1 n\u00e3o&#8230;<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: (interrompe \u00cdgor) N\u00e3o precisa dizer nada sobre a originalidade de minhas palavras. Quem era?<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Nada importante&#8230; A pol\u00edcia veio ver se conhec\u00edamos uma mo\u00e7a desaparecida, mas falei que o senhor n\u00e3o tinha nada a ver com ela&#8230; que nunca a tinha visto, apesar de ser seu noivo! Est\u00e3o esperando pelo senhor, mestre!<\/em><br \/>\n<em> Dr. Frank: Idiota! Como pode dizer isso? Fique aqui e n\u00e3o fa\u00e7a nada. N\u00e3o toque no monstro!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: \u00cdgor tem dois!<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank sai.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: \u00cdgor tem dois! \u00cdgor tem dois!<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank volta.<\/p>\n<p><em>Dr. Frank: Vou ter de ir at\u00e9 a delegacia. Parece que nosso &#8220;monstro&#8221; avisou que vinha para c\u00e1 a\u00a0um amigo&#8230; talvez at\u00e9 me prendam. \u00cdgor, preste aten\u00e7\u00e3o, pois agora dependo de voc\u00ea: fa\u00e7a a experi\u00eancia dar certo. Se ela &#8211; e ele &#8211; voltarem \u00e0 vida, nem eu, nem voc\u00ea poderemos ser presos por assassinato, est\u00e1 entendendo? Se eu disser que foi voc\u00ea quem a matou, meu laborat\u00f3rio poder\u00e1 ser destru\u00eddo. Portanto, vou aguardar um tempo antes de contar a verdade. Fa\u00e7a o que deve ser feito!<\/em><br \/>\n<em> \u00cdgor: Sim, mestre! Pode confiar em mim!<\/em><\/p>\n<p>Dr. Frank sai.<br \/>\n\u00cdgor espera um pouco e liga alguns equipamentos. Senta-se ao lado do &#8220;monstro&#8221;. Ap\u00f3s alguns efeitos e alguma expectativa, \u00cdgor retira o len\u00e7ol que cobre o monstro, revelando sua face. O monstro volta \u00e0 vida, movendo-se mecanicamente. O monstro olha para baixo e acaricia suas partes \u00edntimas. Ele olha para \u00cdgor sem compreender e tenta falar, mas apenas emite ru\u00eddos incompreens\u00edveis.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: (explicando) \u00cdgor tem dois! (alarga a cintura da cal\u00e7a olhando para dentro)<\/em><\/p>\n<p>O monstro continua olhando para \u00cdgor sem compreender.<\/p>\n<p><em>\u00cdgor: (d\u00e1 de ombros e d\u00e1 uns tapinhas no ombro do monstro, complacente. Depois, olha para o p\u00fablico e sorri) \u00c9 a vida!<\/em><\/p>\n<hr size=\"2\" width=\"100%\" \/>\n<div align=\"Center\">\u00a9 Victor M. Sant&#8217;Anna 2002<br \/>\nDireitos Reservados &#8211; n\u00e3o copie sem autoriza\u00e7\u00e3o!<\/div>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.safecreative.org\/work\/0710020004994\" rel=\"cc:license\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/resources.safecreative.org\/work\/0710020004994\/label\/barcode2-150\" alt=\"Safe Creative #0710020004994\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O(a) Noivo(a) Virtual Do Dr. Viktor Frankenstein &nbsp; Faz uns 12\/13 anos que prometi uma com\u00e9dia, mas estava dif\u00edcil. \u00c9 preciso muita desgra\u00e7a para me fazer ter vontade de escrever algo engra\u00e7ado. Partes deste texto foram escritas inicialmente em 21 de janeiro de 1993. 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